Novas oportunidades de crédito imobiliário para famílias de alta renda: quais as mudanças?

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (10) uma nova política de crédito imobiliário voltada para famílias de classe média com renda a partir de R$ 12 mil mensais — público que tradicionalmente fica fora do programa Minha Casa, Minha Vida. A medida visa ampliar o acesso ao financiamento habitacional para esse segmento, com mudanças que devem facilitar a compra da casa própria. No entanto, especialistas alertam: os efeitos tendem a ser de curto e médio prazo.


Principais mudanças no financiamento

  • Teto do imóvel financiado sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões no Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

  • A Caixa Econômica Federal volta a financiar até 80% do valor do imóvel (antes era 70%).

  • Isso significa entrada mínima de 20%, reduzindo o valor necessário para aquisição do imóvel.

  • Foi estabelecido teto de juros de 12% ao ano, evitando aumentos abusivos — hoje, taxas variam entre 11,3% e 13,5% + TR.

“Com o aumento do teto e o financiamento de 80%, o cliente precisa colocar menos recurso próprio na hora da compra. Isso é muito significativo”, afirma Anderson Morais, diretor da BRZ Empreendimentos.


De onde virão os recursos?

O governo vai mexer nas regras de uso da poupança, principal fonte de financiamento habitacional:

  • Dos 20% dos depósitos que ficam retidos no Banco Central (compulsório), 5% serão liberados de imediato, injetando cerca de R$ 35 bilhões no mercado.

  • O compulsório será reduzido gradualmente para 15%.

  • A cada R$ 1 emprestado em crédito imobiliário, o banco poderá liberar R$ 1 da poupança para uso livre por cinco anos, desde que renove o crédito depois desse período.

“Esse modelo reduz o compulsório e cria um mecanismo de ‘matching’, incentivando os bancos a ofertarem mais crédito com juros menores”, diz o especialista Daniel Claudino.


Resumo: antes e depois da medida

Antes Agora
Teto do imóvel R$ 1,5 milhão R$ 2,25 milhões
Percentual financiado Até 70% (entrada mínima de 30%) Até 80% (entrada mínima de 20%)
Juros 11,3% a 13,5% + TR Teto de 12% ao ano
Crédito disponível Limitado (compulsórios altos) Liberação de R$ 35 bi + novas regras

Quando os efeitos serão sentidos?

A nova política ainda depende de regulamentações do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central. A previsão do governo é que as mudanças estejam <strong

By Negócio em Alta