
Contrato tem duração de dois anos, e 80 profissionais passam a atuar no estado. Conselho Regional de Medicina se posicionou contra a decisão. RS recebe 80 profissionais cubanos para atuar no programa Mais Médicos
O Rio Grande do Sul tem 80 médicos cubanos trabalhando em diversas cidades do estado desde a sexta-feira (8), segundo o Ministério da Saúde.
Os profissionais fazem parte do programa Mais Médicos e vão atuar em 39 cidades do estado (confira lista abaixo).
Os médicos contratados pelo programa prestaram serviço em Unidades Básicas de Saúdes e tem contrato válido por dois anos.
Apesar da saúde estado estar enfrentando um período de combate à Covid-19, a contratação desses profissionais não é diretamente ligada ao atendimento de pacientes com o coronavírus.
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) se manifestou contra a contratação dos cubanos. Numa nota de repúdio publicada no site do Cremers, chamou os profissionais de ‘intercambistas’ e mencionou interesses políticos por trás da decisão. (leia nota completa abaixo)
“As pessoas precisam ser atendidas e respaldadas por médicos, não por intercambistas. As equipes da linha de frente precisam contar com especialistas com formação em Medicina Intensiva. Os profissionais da saúde precisam de EPIs, testes, leitos, estrutura e recursos em quantidade suficiente. Precisam preocupar-se em salvar a vida dos cidadãos, e não com medidas tomadas de afogadilho, com claros interesses políticos”, afirma o Cremers em nota.
O documento foi assinado pelo presidente do conselho, o Dr. Eduardo Neubarth Trindade.
Em Santa Maria, na Região Central do estado, já são 8 profissionais atuando na cidade e ainda há três vagas abertas a serem preenchidas. Em Alegrete, também há oportunidades em aberto.
O edital do governo federal foi anunciado em março e 5 mil profissionais foram chamados para atuar em todo o país.
Veja as cidades:
Alegrete
Arroio Grande
Bagé
Barracão
Canoas
Canudos do Vale
Erechim
Flores da Cunha
Gravataí
Harmonia
Horizontina
Ibiraiaras
Ipe
Lajeado
Novo Hamburgo
Passo do Sobrado
Passo Fundo
Porto Alegre
Porto Mauá
Rosário do Sul
Santa Maria
Santa Rosa
Santa Tereza
Santana do Livramento
Santo Ângelo
Santo Antônio da Patrulha
Santo Cristo
São Gabriel
São José do Norte
São Leopoldo
São Lourenço do Sul
São Luiz Gonzaga
São Vicente do Sul
Tenente Portela
Terra de Areia
Três Passos
Uruguaiana
Veranópolis
Viamão
Nota do Cremers
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) manifesta preocupação com a reinclusão de 80 profissionais cubanos ao Mais Médicos para atuar no Rio Grande do Sul. O combate à Covid-19 tem exigido esforços redobrados, mas a pandemia não pode ser usada como subterfúgio para burlar leis e colocar em risco ainda maior a saúde da população. Não é admissível abrir precedentes para utilizar situações graves – ou não – para justificar medidas descabidas.
É inoportuno gerar mais insegurança na população e entre os profissionais da saúde. As pessoas precisam ser atendidas e respaldadas por médicos, não por intercambistas. As equipes da linha de frente precisam contar com especialistas com formação em Medicina Intensiva. Os profissionais da saúde precisam de EPIs, testes, leitos, estrutura e recursos em quantidade suficiente. Precisam preocupar-se em salvar a vida dos cidadãos, e não com medidas tomadas de afogadilho, com claros interesses políticos.
É extremamente arriscado permitir que médicos formados fora do Brasil atuem sem fazer o Revalida e sem registro nos Conselhos Regionais de Medicina. O Revalida é a garantia prática e científica de que o médico tem o conhecimento adequado para as características da região onde vai atuar. A começar pelo questionamento primordial: são mesmo médicos? Sem ao menos isso, as pessoas sequer saberão se estão sendo atendidas por médicos. A demagogia não pode usar o desespero da população como justificativa.
Médico cubano atua em Unidade Básica de Saúde de Alegrete, no Rio Grande do Sul
Reprpdução/RBS TV
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