
Peregrinando por benefício há 3 meses, Vitor Hugo Santos chegou a ficar 40 dias em coma, em Goiânia. INSS afirma que avisou sobre agências fechadas por causa da pandemia, mas família questiona. População reclama de falta de atendimento em agências do INSS
A família de um marceneiro de Goiânia que teve de amputar as duas pernas amputadas após sofrer uma infecção generalizada luta há pelo menos três meses para que ele possa ter direito ao auxílio-doença junto ao INSS. Vitor Hugo Ferreira Santos, que chegou a ficar 40 dias em coma, não consegue trabalhar, está passando por dificuldades e se diz “indignado” com a peregrinação em busca de algo ao qual tem direito.
“A gente fica indignado porque a gente só funciona enquanto está oferecendo os impostos. Agora que estou sem um rendimento, gastando um dinheirão com medicamento, a gente fica sentindo como se não valesse nada mais porque nem informação eles dão. Joga a gente fora, praticamente é isso. Deixa a gente indignado”, desabafa.
O INSS informou, em nota, que Vitor Hugo não compareceu à perícia e, portanto, teve o benefício negado (veja mais detalhes abaixo). A família questiona.
Filha de Vitor Hugo, Larissa Ferreira dos Santos foi com ele a uma agência do INSS na manhã de terça-feira (5), alegando que havia uma perícia agendada para este dia. No entanto, ao chegar ao local, descobriu que ele estava fechado e sem atendimento presencial.
“Ninguém nos atendeu, não tem informação nenhuma, só alguns cartazes afixados na entrada e não tem nenhuma informação. Aí tem um telefone, 135, que não atende e outro fixo que não atende, só dá ocupado. No app olhei ontem à noite para confirmar e estava confirmada a data de hoje no mesmo horário”, reclama.
Peregrinação
Ela conta que há três meses tenta, em vão, ter acesso ao benefício para o pai, que chegou a passar por uma perícia enquanto estava no hospital. Porém, ela não sabe dizer o que pode ter dado errado.
“A gente está nessa luta, nessa batalha, desde o final de fevereiro. A gente já agendou algumas vezes a perícia. A primeira vez ele ainda estava internado. Vim representando ele, mas não deu certo. Eles enviaram uma perita ao hospital, ela fez a perícia com ele lá, inclusive, foi no mesmo dia em que ele teve alta do hospital, em 15 de fevereiro”, afirma.
Vitor Hugo peregrina há três meses em busca do benefício
Reprodução/TV Anhanguera
“Essa perita não inseriu o resultado no sistema deles. Eu não sei o que aconteceu, mas eles indeferiram o pedido. A gente esperou 30 dias depois desse indeferimento, agendamos e demorou mais 30 dias, ou seja, hoje tem mais de 60 dias que a gente fez esse agendamento e mais uma ver a gente não teve esse atendimento. Não tivemos a informação também que não estaria tendo esse atendimento presencial”, completa.
Larissa afirma ainda que o pai tem muitos custos com medicamentos e locomoção e diz que o auxílio nada mais é do que um direito dele.
“A gente está passando por muitas dificuldades porque ele está acamado, muito difícil, toda questão de deslocamento, os custos, porque ele está com algumas feridas. O mínimo que a gente precisa é desse auxílio-doença que mal vai pagar o básico para ele. É um absurdo, é humilhante essa situação. É um direito, não é um favor”, destaca.
Posição do INSS
Sobre a situação de Vitor Hugo, o INSS se manifestou na seguinte nota:
“O segurado deu entrada em requerimento de auxílio-doença, em 06/02/2020, com agendamento para o dia 25/02/2020, mas não compareceu para a realização da perícia médica e, consequentemente, ocorreu o indeferimento por esse motivo. Vale notar que o atendimento presencial nas Agências foi suspenso a partir de 19 de março até o dia 30 abril e houve a prorrogação até o dia 22 de maio. No dia 26/03/2020, foi feito outro requerimento pelo segurado e no próprio sistema já apareceu no ato a informação sobre o procedimento, qual seja, deve-se acessar o gov.br/meuinss e anexar o atestado médico, pois em se tratando de novos requerimentos, o Instituto está pagando o adiantamento de um salário mínimo ao titular. No link abaixo temos orientações a respeito do tratamento dessas situações”.
No entanto, a família questiona algumas informações. Segundo Larissa, o agendamento feito pelo app seguia mantido um dia antes da data marcada. Salientou ainda que o pai não recebeu qualquer adiantamento no valor de um salário e finalizou pontuando que todos os documentos já foram inseridos de forma correta.
“Todos esses documentos já foram inseridos anteriormente, já foram apresentados pessoalmente. A própria perita dele já teve acesso, já viu com os próprios olhos a situação do meu pai no hospital, com atestado, como tudo. Não tem dúvidas nenhuma. Está tudo muito claro as necessidades dele”, lamenta.
A filha diz que Vitor Hugo teve o auxílio emergencial aprovado, mas que o valor ainda não foi creditado.
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