Mãe relata desespero ao perder filho de 35 anos para o coronavírus em SP


Mãe de produtor musical demorou para conseguir falar sobre a perda do filho, que veio a óbito com 35 anos. Wanda ainda se recupera da perda do filho, que tinha 35 anos
Arquivo pessoal
Ainda é difícil para a dona de casa Wanda Correia dos Santos, de 60 anos, acreditar que o filho “tão alegre e cheio de sonhos” morreu tão jovem. O produtor musical Diego dos Santos, de 35 anos, foi contaminado pelo coronavírus e veio a óbito em Guarujá, no litoral de São Paulo. “É muito dolorido seguir em frente. Só agora consigo falar mais do assunto”, relata.
Diego era produtor do Grupo Quintessência e era bastante conhecido no meio musical, principalmente entre os grupos de pagode. De acordo com a mãe, o rapaz teve falta de ar, febre, sentiu a boca amarga e muita dor no corpo. Em seguida, foi levado ao Pronto Socorro de Praia Grande e transferido para Guarujá, onde foi entubado e permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por 10 dias.
“Como toda mãe, fiquei doida sem poder ver o meu filho, sem poder fazer nada para ajudá-lo. Me senti péssima. Não tinha informações a todo instante, apenas na hora do boletim, então era angustiante. Até o dia em que fomos avisados que ele havia ido embora. Foi muita dor, é muito triste você receber um filho no caixão e não poder se despedir, não poder vê-lo”, conta.
Após a morte de Diego, a mãe relata que o filho mais velho também testou positivo para a doença e segue em tratamento, cumprindo o isolamento social. O marido também está com os sintomas, foi ao médico e iniciou o tratamento no último fim de semana.
“Além de tudo isso tem a minha neta, que tem apenas sete anos e não sabemos como está digerindo a situação. Todos estamos preocupados. Ele era um ótimo pai, brincalhão, trabalhador, alegre, gostava de tocar pagode, era a vida dele, tinha orgulho do que fazia. Amava a filha e fazia de tudo por ela e pela família. Gostava de festa e era a alegria dos almoços de casa”, relembra a dona de casa.
“Não tenho palavras pra descrever o que ele era pra mim, tudo o que significava. Nada vai cobrir esse vazio. Essa é uma doença maldita, não tem como descrever de outra forma. Ela levou o meu filho de mim, deixou outro filho isolado e toda a família triste. Nós mal tivemos tempo de sentir a perda do Diego, pois a doença veio se alastrar entre nós ainda. E o pior é que muitas pessoas não acreditam, continuam fazendo festas, andando sem máscaras, não cuidando de si e nem do próximo.”
A mãe ainda afirma que a família sempre foi cuidadosa com as medidas de prevenção e sempre acreditou na seriedade da doença. “E ainda tem pessoas que querem que tudo volte a funcionar normalmente. Na minha opinião elas só vão acreditar se infelizmente acontecer na família delas. Com todos os cuidados que tivemos meu filho ainda foi contaminado e infelizmente não resistiu. É muito sério”, relata.

By Negócio em Alta