Ex-diretor da PF prestou depoimento nesta segunda (11) e disse que Bolsonaro ligou para informar que exoneração seria ‘a pedido’. Valeixo também afirmou que o presidente relatou querer alguém com ‘afinidade’ no cargo; episódio levou Moro a deixar ministério. Valeixo diz que Jair Bolsonaro acertou demissão por telefone
O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo prestou depoimento nesta segunda-feira (11) na na Superintendência da PF em Curitiba. Ele foi ouvido pelos investigadores que atuam no inquérito que apura suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF.
O depoimento de Valeixo foi motivado pelo inquérito aberto pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República.
Essa suposta interferência do presidente na PF foi a razão apontada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro no pronunciamento em que anunciou sua saída do governo, em 24 de abril.
Moro, que deixou a pasta após Bolsonaro exonerar Valeiro, alegou que não via motivo razoável para a troca no comando da PF e que foi pressionado por Bolsonaro a fazer mudanças na cúpula da corporação.
O inquérito apura se as acusações de Moro são verdadeiras. Se não forem, o ex-ministro poderá responder na Justiça por denunciação caluniosa e crimes contra a honra.
Valeixo também foi citado por Moro em depoimento à PF no dia 2 de maio. Nesta segunda, o ex-comandante da PF disse que recebeu telefonema de Bolsonaro no qual o presidente informou que a exoneração seria publicada “a pedido”. Também afirmou que Bolsonaro relatou querer alguém com “afinidade” no cargo.
(Esta reportagem está em atualização.)
Leia, abaixo, a íntegra do depoimento de Valeixo à PF:
Termo de depoimento que presta Maurício Leite Valeixo
Aos 11 dias do mês de maio de 2020, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no estado do Paraná, onde presente se encontrava Christiane Correa Machado, delegada da Polícia Federal, chefe do Serviço de Inquérito da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado – DICOR – e Wedson Caje Lopes, Delegado de Polícia Federal, lotado no SINQ/DICOR, compareceu Maurício Leite Valeixo, delegado de Polícia Federal, matrícula nº 6559, lotado em exercício nesta PF/MJSP.
Compromissado a dizer a verdade e inquirido a respeito dos fatos em apuração, respondeu:
que o depoente tomou posse na Polícia Federal no ano de 1996; que em razão de sua classificação na Academia nacional de Polícia escolheu a vaga na Superintendência do DF; que em 1998 foi removido para a Superintendência do Paraná, onde permaneceu até 2007; que em 2008 foi removido para a Academia Nacional de Polícia; que em 2009 retornou ao Paraná como Superintendente, permanecendo até 2011; que no mesmo ano retornou à Brasília como Diretor de Gestão de Pessoal, permanecendo na mesma função por um ano; que em 2012 assumiu a Diretoria de Inteligência Policial, ficando por um ano e meio; que em junho de 2013 foi indicado a adido policial em Washington, retornando ao Brasil em julho de 2015; que ao retornar foi indicado DICOR substituto, tendo assumido em novembro de 2015 com a aposentadoria do Dr. Osclain, a Diretoria de Combate ao Crime Organizado-DICOR; que permaneceu como DICOR até dezembro de 2017., quando foi nomeado, pela segunda vez, superintendente da Polícia Federal no estado do Paraná; que em dezembro de 2018, quando ainda exercia o cargo de superintendente no Paraná, foi convidado pelo ex-ministro Sérgio Moro a exercer o cargo de diretor geral da Política federal; que não mantinha nenhum tipo de amizade com o ex-ministro; que o conheceu quando chefiava a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, não se recordando se em 199, 2000 ou 2001, o ex-ministro Sérgio Moro, assumiu uma vara federal de competência criminal; que não só ele, mas outros juízes titulares ou auxiliares em razão das atividades que exercia; que sua relação com o Dr. Sérgio Moro, era a mesma que mantinha com outros membros do Poder Judiciário e do Ministério Público; que não frequentava a residência do Dr. Sérgio Moro; que aceitou o convite para a Direção Geral em razão de entender que estava no momento adequado para tanto; que quando houve o convite e as conversas que se seguiram com o ex-ministro, trataram sobre as indicações dos cargos de chefia, aos quais entendia que as definições deviam se dar no âmbito da Polícia Federal; que houve concordância sobre isso por parte do Dr. Sérgio Moro; que não mantém nenhum tipo de amizade com o exmo. Presidente da República; que não havia relação pessoal entre o depoente e o atual Presidente; que desconhece qualquer tipo de resistência apresentada pelo exmo. Presidente.
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