Hospital Geral de Roraima sofre com o acúmulo de lixo hospitalar

Segundo a Secretaria de Saúde do estado, o lixo se acumulou depois que a empresa responsável pela limpeza interrompeu os serviços. Companhia diz que estado tem dívida de mais de R$ 6 milhões. Hospital Geral de Roraima sofre com o acúmulo do lixo hospitalar
Os profissionais da saúde de Roraima estão tendo que lidar com o acúmulo de lixo hospitalar que deixou de ser recolhido. E o número de pacientes com a Covid-19 não para de crescer.
Pelos corredores do Hospital Geral de Roraima, onde estão internados pacientes com Covid-19 e outras doenças, o retrato da saúde pública do estado.
“Isso aqui tudo é o lixo do hospital. Está ficando fora. Aqui os baldes cheios e ali é da UTI. Isso aqui na época de uma pandemia dessa. Olha só como está o hospital”, diz uma gravação.
Segundo a Secretaria de Saúde do estado, o lixo se acumulou depois que a empresa responsável pela limpeza interrompeu os serviços.
“Essa empresa nos procurou sugerindo que nós déssemos continuidade a práticas que nós consideramos irregulares. Dissemos à empresa que se ela achava que num momento tão grave que a saúde pública do estado vive, ela entendesse que era o caso de suspender a limpeza, que ela o fizesse”, afirma Olivan Júnior, secretário de Saúde de Roraima
Mas segundo a empresa Cometa, os serviços foram interrompidos por causa de uma dívida de mais de R$ 6 milhões com o estado.
A crise no sistema público de saúde de Roraima se arrasta há anos, com denúncias de superfaturamento em diversos contratos. O atual secretário de Saúde já é o sexto do governo Antonio Denarium, do PSL.
O coronel Olivan Júnior, que estava na Segurança Pública, assumiu a Secretaria da Saúde esta semana depois de Francisco Monteiro Neto ter sido exonerado do cargo. O ex-secretário teria feito uma compra de 30 respiradores no valor de mais de R$ 6 milhões, um preço muito acima do mercado. Além disso, o pagamento teria sido feito de forma antecipada, o que fere os princípios da administração pública.
A falta de estrutura e sucessivos escândalos fazem vítimas, como o irmão do seu Francisco, que morreu esta semana no Hospital Geral de Roraima.
“Passou pela triagem do médico e o médico disse que ele não tinha nada, andou ele embora para casa. No dia seguinte, nós resolvemos fazer o exame dele particular e deu positivo”, disse Francisco Chagas, irmão da vítima.
O hospital de campanha, montado pelo Exército há um mês e meio, pode ser um reforço importante no atendimento da Covid-19, mas ele ainda não está funcionando porque faltam medicamentos e profissionais de saúde.
Quem trabalha hoje na linha de frente teme pelo pior. “Os profissionais estão adoecendo com o advento da Covid-19 e se contaminando. Não tem disponibilidade de kits, não tem equipamento de proteção individual para se proteger e também a proteção do paciente. Hoje a gente vive um caos no estado de Roraima devido a essa situação”, relata Melquisedek Menezes, presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem.
A Secretaria de Saúde de Roraima disse que o governo já contratou uma outra empresa para realizar a limpeza no hospital geral. Sobre a compra de respiradores, informou que instituiu uma força-tarefa jurídica para analisar os processos administrativos, e que solicitou a devolução do valor pago pelos equipamentos à empresa responsável pela venda. Em relação ao hospital de campanha, comunicou que está trabalhando de forma integrada com o Exército para assegurar o pleno funcionamento da unidade. Sobre a morte do paciente Orlando Falcão, o Hospital Geral de Roraima disse que seguiu todos os protocolos de orientação internacional e do Ministério da Saúde para atendimento a pacientes com sintomas da Covid-19.

By Negócio em Alta