O Amazonas tem mais de mil mortes por Covid-19, e o governo do estado decretou luto de três dias em homenagem às vítimas. Governo do Amazonas decreta luto de três dias pelas mais de 1000 mortes por Covid-19
O governo do Amazonas decretou luto de três dias pelas mais de mil mortes no estado.
Depois de quase 15 dias de internação por causa da Covid-19, dona Maria Odete, de 65 anos, fez uma videochamada e avisou a família: iria passar o Dia das Mães em casa.
“Já estava prevista a alta dela. Poxa, a gente ficou muito feliz porque veio o Dia das Mães, são cinco filhos. Meu marido é o mais velho. São cinco filhos, a gente ficou muito feliz”, diz Selma Teixeira de Souza, nora da dona Maria Odete.
No sábado (9), o estado de saúde dela piorou muito, mas ela não foi transferida para a UTI do hospital Platão Araújo. Não resistiu e faleceu na manhã desta segunda-feira (11).
“Não foi para UTI, não foi entubada, nada disso. A família está muito abalada principalmente o meu marido, o filho mais velho, está muito abalado. Ele não consegue dar uma palavra, ele só chora”, conta Selma.
O Amazonas tem mais de mil mortes por Covid-19 e mais de 12 mil casos.
A rede de saúde trabalha com 88% de taxa de ocupação dos leitos de UTI e hospitais superlotados. O sistema funerário continua com média de 120 enterros por dia, quatro vezes do que antes da pandemia.
Nesta segunda (11) passou a valer um novo decreto da prefeitura de Manaus, que obriga o uso de máscaras no transporte coletivo.
Segundo o Ministério da Saúde, o Amazonas é o estado com uma das maiores incidências de mortes por Covid-19 e é também o que mais registrou óbitos entre as comunidades indígenas no país: são 154 casos e 12 mortes.
Cem casos estão na região do Alto Solimões, onde moram cerca de 70 mil indígenas. As 237 aldeias montaram barreiras sanitárias para tentar conter a proliferação do vírus. A reserva indígena do Umariaçu já tem mais de 30 infectados pelo novo coronavírus.
Alguns índios precisam viajar até a cidade e voltam com o coronavírus para as aldeias.
Vanderlei Aiambo, da tribo Tikuna, viajou cinco horas de canoa pelo rio Solimões, para tentar receber o benefício de R$ 600 do governo federal, mas não conseguiu retirar o dinheiro.
“Nós viemos sacar o nosso benefício e ninguém não conseguiu nada e hoje nós vamos voltar sem alguma coisa para gente comer em casa, com nossas famílias”, lamenta.
O Hospital Platão Araújo informou que a dona Maria Odete, mostrada no início da reportagem, não tinha indicação médica para o uso de ventilador mecânico invasivo.
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