Em entrevista, ministros reforçam medidas defendidas por Bolsonaro contra isolamento social

No fim da tarde desta sexta (15), quatro ministros participaram de uma entrevista no Palácio do Planalto. Eles aproveitaram a data de 500 dias de governo para reforçar as medidas defendidas pelo presidente Bolsonaro contra o isolamento social e pela reabertura da economia. Ministros reforçam medidas defendidas por Bolsonaro contra isolamento social
No fim da tarde desta sexta-feira (15), quatro ministros participaram de uma entrevista no Palácio do Planalto. Eles aproveitaram a data de 500 dias de governo para reforçar as medidas defendidas pelo presidente Bolsonaro a favor do uso da cloroquina, contra o isolamento social e pela reabertura da economia.
O ministro da Casa Civil fez uma comparação dos dados da Covid-19 com outros países. Braga Netto apresentou o número de mortes proporcionalmente à população e comparou o Brasil principalmente com países europeus, como Bélgica, Espanha e Itália.
“Eu gostaria primeiramente de, em nome de todo o governo, nos solidarizarmos com as famílias que perderam entes queridos durante essa pandemia. Comparando com outros países, o Brasil tem proporcionalmente número de óbitos, como os senhores podem ver… Nós estabelecemos, então, uma visão de proporcionalidade com base na população dos países, como os senhores podem ver. Essa fotografia evidencia que o Brasil, no seu 61º dia após o centésimo caso, apresenta o número de óbitos acumulados proporcionalmente bastante inferior”, disse Braga Netto.
Os números apresentados não consideram os índices estimados de subnotificação que variam de país para país. Epidemiologistas apontam um número mais alto no Brasil do que nos países europeus.
Braga Netto defendeu o presidente: “O presidente segue as medidas. O que o presidente é contra, ou se posiciona de uma maneira diferente, é exatamente dos excessos que são tomados. O presidente não é contra o isolamento; ele é contra aquele isolamento que vai prejudicar o emprego e vai gerar fome lá na frente”.
Bolsonaro prega o isolamento vertical, em que só os idosos e grupos de risco ficam isolados. Autoridades de saúde no mundo todo defendem o isolamento horizontal, muito mais amplo.
Braga Netto também disse que o Ministério da Saúde está estudando o uso da cloroquina nos primeiros dias de manifestação dos sintomas. No fim do dia, o ministério informou que está finalizando novas orientações sobre a Covid-19, inclusive com a disponibilidade de medicamentos para pacientes leves.
O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, fez uma comparação com mortes provocadas por outras doenças e até quedas. Ele disse que, por causa do coronavírus foi instalado um clima de terror no país.
“Considerando que seria um ano normal, a média dos anos de 2016 a 2018, a média de óbitos por ano, 1,253 milhão pessoas morrem de várias causas. De doença de Chagas, que é muito ruim, cerca de 4.800 pessoas. Dessa doença, infelizmente muito forte, o câncer, 221.653 pessoas. De aparelho circulatório ou infarto, qualquer um de nós. Meu querido repórter, não vou citar o nome, mas todos nós, eu me incluo, podemos, a qualquer momento, sofrer um infarto do miocárdio. Outra coisa: todo mundo aqui deve andar de carro ou deve andar de ônibus, pratica esporte. A média de mortes por ano, de queda, afogamento, acidente automobilístico, lesões provocadas de toda ordem: 164 mil mortes. Os números são impactantes. Mas nem por isso é instaurado um clima de terror”, destacou Ramos.
Em maio, a Covid já matou oficialmente 8.916 brasileiros em 15 dias. Caso este ritmo se mantenha, teremos 17.832 mortes pela doença apenas em maio, mais do que a média da doença de Chagas e de todas as quedas, afogamentos, acidentes e lesões, e pouco menos que o câncer. Além disso, a Covid é uma doença nova, que só começou a matar em 2020. Ela não substitui as outras causas de morte; provoca mortes a mais, numa soma que eleva a taxa de óbitos do país.
O ministro da Economia defendeu a suspensão de aumentos salariais para servidores públicos, como contribuição para o equilíbrio dos gastos dos governos com a pandemia.
“Que história é essa de pedir aumento de salário porque um policial vai à rua exercer a sua função? Ou porque um médico vai à rua exercer a sua função? Se ele trabalhar mais por causa do coronavírus, ótimo. Ele recebe hora extra. Mas dar medalhas antes da batalha? As medalhas vêm depois da guerra, depois da luta. O Brasil forte, erguido. Nós vamos nos lembrar disso, vamos botar o quinquênio, o anuênio, o milênio, o eugênio, tudo o que for preciso. Mas não antes da batalha. Só vamos pedir uma contribuição. Por favor, enquanto o Brasil está de joelhos, nocauteado, tentando se reerguer, por favor, não assaltem o Brasil. Não transformem, num ano eleitoral, onde é importante tirar o máximo possível do gigante que foi abatido. Deixa ele levantar. Não permitam que as despesas extraordinárias que nós estamos tendo, distribuindo esses recursos para estados e municípios, não permitam que esse dinheiro que está sendo dado de boa-fé para ajudar a guerra da saúde, não permitam que isso vire aumento de funcionalismo”, disse Paulo Guedes.

By Negócio em Alta