Pedro Nascimento Araújo, diretor da Veigamed, empresa que vendeu aparelhos ao estado, afirma que valor no mercado é maior para o tipo de equipamento que foi entregue. Diretor da Veigamed presta depoimento ao MPSC
Nesta sexta-feira (15), dois investigados pela força-tarefa na compra dos respiradores prestaram depoimento ao Ministério Público de Santa Catarina. Um deles é Pedro Nascimento, diretor da empresa Veigamed, que vendeu os aparelhos. Ele disse à NSC TV que os equipamentos foram vendidos com valor abaixo do mercado.
“O preço falou-se que era acima de mercado, mas não é, pelo contrário. É até abaixo do preço de mercado para este tipo de aparelho. Há várias linhas de respiradores. Para este tipo de aparelho, o preço está até abaixo do preço cobrado no mercado privado, como vocês podem em qualquer pesquisa verificar”, afirmou.
Parte dos respiradores pelo Governo de Santa Catarina para ajudar no tratamento de pacientes com Covid-19 chegou a Florianópolis nesta quinta-feira (14). Até esta sexta, os aparelhos estavam no aeroporto, em processo alfandegário. Esse primeiro lote tem 50 dos 200 aparelhos adquiridos pela administração estadual.
Pedro Nascimento Araújo seria o responsável por movimentar a conta bancária ligada à empresa. A Veigamed que foi escolhida pelo governo estadual no processo de dispensa de licitação. Foram pagos antecipadamente R$ 33 milhões à Veigamed. Pedro confirmou que é diretor da empresa e que participou de todo o processo.
“Eu que coordenei e gerenciei essa compra dos respiradores para Santa Catarina. O modelo que Santa Catarina está recebendo, que já está disponível aqui no terminal de Santa Catarina, é o modelo invasivo, o Shangrila S510. O modelo originalmente colocado foi o modelo não invasivo, que não permitiria a intubação de pacientes. Então nós estamos entregando um modelo que está acima do que foi colocado inicialmente”, disse ele.
Sobre o envolvimento dele com outros investigados, Pedro disse que o médico Fábio Deambrosio Guasti deu uma orientação, ajudou de certa forma na compra dos respiradores. Mas Pedro disse não conhecer os demais investigados.
Ele também comentou sobre alguns levantamentos da investigação, como o endereço da empresa e o poder de importação dela. “Tem essa questão do endereço não ser compatível, do galpão não ser um galpão. Ocorre que utilizaram uma foto de Google Maps muito antiga. Hoje é um galpão certificado pelas autoridades municipais, estaduais e federais, pela Anvisa, pela Vigilância Sanitária”, declarou.
Sobre a importação, disse que “Nós temos autorização para vender este tipo de equipamento e outro tipo de equipamento médico-cirúrgico hospitalar. Nós contratamos uma empresa que faz a importação. Essa empresa é que tem que ter essa capacidade. Eu não posso fazer a importação desse valor diretamente porque eu não sou habilitado para isso”.
Chegada dos respiradores
A compra é alvo de investigação de uma força-tarefa formada pela Polícia Civil, Ministério Público (MPSC) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC).
A 1ª Vara da Fazenda Pública da capital atendeu a um pedido do próprio estado e determinou o sequestro desses equipamentos, por isso integrantes da equipe da Diretoria Estadual de Investigações criminais (Deic) foram ao aeroporto para buscar os itens.
Os aparelhos vieram da China e estavam deste terça (12) no aeroporto de Guarulhos (SP). No total, os 200 respiradores adquiridos pela Secretaria de Estado da Saúde custaram R$ 33 milhões, valor pago antecipadamente.
A qualidade do material será avaliada para saber se os aparelhos cumprem os requisitos necessários para atender pacientes com coronavírus — isso porque há suspeita de que os equipamentos não seriam os mesmos encomendados pelo governo catarinense.
Operação O2
A investigação ocorre por meio de uma força-tarefa formada pelo MPSC, Polícia Civil e TCE-SC, órgãos que apuram irregularidades na compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões para o governo do estado. Juntas, as instituições deflagraram a Operação O2 no último sábado (9), com cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão em quatro estados.
Entre os investigados estão os ex-secretários Douglas Borba, da Casa Civil, que pediu exoneração no domingo (10) e Helton Zeferino, da Saúde, que solicitou saída da pasta em 30 de abril.
Na segunda (11), a Justiça retirou o sigilo da apuração, que aponta que foi Borba quem indicou alguns dos empresários que participaram das tratativas com os servidores públicos. O MPSC chegou a pedir a prisão temporária dele e de mais sete pessoas que estariam envolvidas na aquisição, mas o Poder Judiciário negou a solicitação.
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