
Cerca de 20 pessoas participaram do sepultamento da cantora no bairro Pedra Mole. Maria da Inglaterra
CCOM/Governo do Piauí
O corpo da artista piauiense Maria da Inglaterra foi sepultado às 13h desta sexta-feira no Cemitério do bairro Pedra Mole, Zona Leste de Teresina, após velório simples por causa da pandemia do novo coronavírus. De acordo com Deusimar dos Santos Silva, filho da cantora, apenas familiares e amigos próximos participaram do sepultamento, em um número reduzido.
Maria da Inglaterra faleceu no Hospital de Urgências de Teresina (HUT) na noite de quinta-feira (7). Ela sofria de uma doença renal aguda e estava internada desde a última segunda-feira.
“Foram mais ou menos 20 pessoas, dos artistas conhecidos dela veio o Gonzaga Lu. Os outros eram mais da família e poucas pessoas de fora, logo as pessoas estão com medo do coronavírus e não querem aglomeração”, explicou.
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Maria Luiza dos Santos e Silva virou cantora aos 26 anos e se tornou ícone da cultura do Piauí. Em entrevista ao G1, em 2013, revelou ter tido uma visão, uma luz, para subir aos palcos que dizia “Maria, vamos cantar”. O chamado apareceu na janela de casa. Desse dia em diante não parou mais de cantar. Mesmo sem saber ler ou escrever, compôs mais de 2.000 músicas.
Repercussão da morte
Autoridades e artistas lamentaram a morte e prestaram homenagens em suas redes sociais, nesta sexta-feira (8), à cantora e compositora Maria da Inglaterra, 81 anos. O prefeito de Teresina, Firmino Filho, lamentou hoje a partida da cantora e compositora piauiense e decretou luto oficial por três dias. “Fibra da mulher na luta por aquilo que ama”.
O escritor piauiense Noé Filho também utilizou sua conta no Twitter para lamentar a morte da compositora. “Deixou um legado imensurável para a cultura piauiense, para a cultura brasileira, legado esse que temos de lutar para que jamais seja esquecido”.
Jornalista lamenta abandono da cantora
Maria da Inglaterra
José Ailson
O jornalista Patrício Lima, de 32 anos, que produziu o documentário “Maria da Inglaterra – Mulher Cabra-Macho”, em novembro de 2012, se emocionou ao falar sobre a morte da artista. Ele criticou o fato de Maria da Inglaterra não ter tido o devido reconhecimento. A artista não sabia nem ler ou escrever – e isso não a impediu de compor.
“A arte no Brasil é muito pouco valorizada. Se você fosse para qualquer outro país como Alemanha, Chile, talvez até a Argentina, ela teria uma estátua ou placa com referências a ela, mas aqui no Piauí, a música é muito pouco valorizada, o governo dá pouco incentivo”, lamentou.
“Maria era um patrimônio da nossa cultura”
Maria da Inglaterra em fotos
Reprodução
Responsável pela carreira da artista, José Dantas relatou que a morte de Maria da Inglaterra deixa um vazio na cultura do estado. “Era um patrimônio vivo da nossa cultura, da nossa música de raiz, da música mais regional. Temos poucas referências, e a Maria era uma referência muito diferenciada, disse José Dantas.
“Uma analfabeta que não sabia nem ler e escrever e fez canções, se tornou uma artista, se projetou no Brasil com suas músicas”, relatou o produtor cultural. “É uma perda irreparável, dimensionar essa perda não dá”, continuou.
*Rafaela Leal, estagiária sob supervisão de Júnior Feitosa.
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