
Rodrigo Schneider afirmou que materiais apreendidos estão sendo analisados. Entrevista foi realizada na manhã desta terça-feira, no Bom Dia Santa Catarina. Delegado da DEIC, Rodrigo Schneider, fala sobre operação que investiga compra de respiradores em SC
NSC TV/Reprodução
O delegado da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), Rodrigo Schneider, falou sobre as investigações que apuram uma suposta fraude na compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões pelo governo catarinense que resultou na Operação O2. Conforme o delegado, documentos, celulares e computadores obtidos por meio das buscas realizadas em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso, estão sendo analisados.
Em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina da NSC TV, nesta terça-feira (12), o delegado reforçou que a investigação trabalha com suspeitas de lavagem de dinheiro.
“Leva a crer que houve uma sobrepreço na contratação, os indicativos são de que a empresa nunca tivesse a intenção de entregar o primeiro equipamento, mas sim o segundo equipamento que era o mais barato, com lucro de 100%. Com isso várias pessoas podem lucrar, não só os empresários, como os agentes públicos de Santa Catarina, como os do Rio de Janeiro também”, disse.
Questionado sobre outras compras realizadas pelo governo catarinense que possam estar sob suspeita, Schneider afirmou que ainda é cedo para afirmar, pois os materiais apreendidos ainda estão sendo analisados.
“Não com os mesmo atores nem com as mesmas empresas, mas não descartamos que isso possa ter ocorrido [com outras compras]. Mas ainda é cedo para poder afirmar isso”, disse.
Entre os investigados estão os ex-secretários Douglas Borba, da Casa Civil, que pediu exoneração no domingo (10) e Helton Zeferino, da Saúde, que já havia pedido pra sair da pasta em 30 de abril. A Justiça retirou o sigilo da investigação da força-tarefa do Ministério Público (MPSC), da Polícia Civil e do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC)
Suspeita de contratação de “laranjas”
A empresa VEIGAMED, responsável pela aquisição dos respiradores, foi alvo da operação no Rio de Janeiro. Conforme o delegado, buscas foram feitas na casa de um homem que se apresenta como o CEO da empresa e de outra pessoa apontada como proprietária. Entretanto, segundo ele, com o andamento das investigações será possível saber quem o real responsável pela empresa.
“Essa empresa parece que empresta o CNPJ para fazer esse tipo de atividade. […]. Ela nem poderia ter feito essa contratação do estado porque ela não estava autorizada a esses valores. […] Se seguirmos o caminho do dinheiro, bem possível que vamos chegar ao restante do dinheiro e a quem foi o último beneficiário dessa contratação para o estado”, afirmou.
Esquema pode ter se aproveitado da pandemia
Em relação ao esquema investigado, o delegado da DEIC afirmou que está sendo investigado se a organização já atuava antes da pandemia ou se aproveitou as contratações emergenciais feitas pelos estados.
“Aproveitaram-se de fragilidade de Santa Catarina, pode ser que sim, pode ser que não. (…) o momento da pandemia parece o momento perfeito para o esquema agir com maior desenvoltura”,
Envolvimento de governador e parlamentares
O delegado Rodrigo Schneider disse que por enquanto nenhum parlamentar catarinense foi citado durantes as investigações. Entretanto, há muito documentos e materiais apreendidos que precisam passar por análise.
“Até o presente momento não há nada que indique que o governador tinha conhecimento [do esquema]. (…) Estamos avaliando documentos, se surgir o nome de algum agente político, será investigado”, afirmou o delegado.
Respiradores ainda não foram entregues
Até as 9h desta terça-feira, os equipamentos ainda não haviam sido entregues. O primeiro e o segundo lotes deveriam ter chegado em 7 de abril e 30 de abril, respectivamente, o que ainda não ocorreu.
Caso cheguem ao estado, os equipamentos serão inicialmente avaliados para saber se os modelos são compatíveis com que . Schneider afirma que o estado tem buscando pareces imparciais sobre a validade e a serventia dos equipamentos para o estado.
A polícia teve acesso à ordem de embarque, ao número do voo e está ciente das empresas que fazem o encarregamento e desembaraço da carga.
Para o delegado, a impressão que tem durante a investigação é que a organização nunca teve intenção de entregar o primeiro aparelho, que atendia as especificações do estado.
“O que deu errado? A entrega. Talvez se a entrega tivesse sido no prazo, iriamos apurar, talvez daqui a um ano, fosse verificar que a contratação fosse de forma errada, [que] teriam sido entregues aparelhos que não eram adequados para a Covid[-19]”, disse.
Se for constatado que os aparelhos poderão ser usados, o delegado explica que será preciso uma devolução dos valores contratados por parte da empresa. Cada aparelho custou R$ 165 mil, valor pelo menos 65% mais caro do que os adquiridos pela União durante a pandemia.
Em nota enviada segunda-feira (11) ao G1, a Veigamed informou que parte dos respiradores chegará ao Brasil nesta terça-feira (12) e devem ser entregues em Santa Catarina até 24 horas depois. Com isso, os equipamentos devem estar até a quarta-feira (13) no estado. Na quinta-feira (7), a empresa chegou a dizer que os equipamentos chegariam no sábado (9), o que não ocorreu.
Operação fez buscas em quatro estados
No sábado (9), o Gaeco, a força-tarefa do MPSC, e a Polícia Civil cumpriram 35 mandados de busca e apreensão e sequestro de bens em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso na Operação O2, que investiga a compra emergencial. O sigilo da investigação foi retirado pela Justiça.
Entre os investigados estão os ex-secretários Douglas Borba, da Casa Civil, que pediu exoneração no domingo (10) e Helton Zeferino, da Saúde, que já havia pedido pra sair da pasta em 30 de abril. Segundo a força-tarefa, foi Douglas quem indicou alguns dos empresários que participaram das tratativas com os servidores públicos.
O MPSC chegou a pedir a prisão temporária de oito pessoas que estariam envolvidas na compra dos respiradores, entre elas Douglas Borba, mas o pedido foi negado pela Justiça.
Em entrevista ao Bom Dia SC de segunda-feira, o procurador-geral de Justiça de Santa Catarina, Fernando Comin, falou que há indícios da existência de uma organização criminosa que usava uma empresa de fachada e intermediava a venda de equipamentos para o poder público, com a facilitação de alguns agentes do governo no processo de compra.
Essa fotografia já está muito clara, o braço empresarial utilizava uma empresa que não tinha habilitação para importação desses respiradores e teve facilitação por agentes públicos aqui de Santa Catarina. Não só para agilizar o processo e realizar o pagamento antecipado, mas também para avalizar a operação e se assegurar de que esses recursos seriam transferidos para essa empresa de fachada. Isso já está muito claro, afirmou Comin na entrevista.
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