
David Nascimento dos Santos, de 23 anos, foi morto em 24 abril. Caso é investigado também pela Polícia Civil de São Paulo. David Nascimento dos Santos, de 23 anos, era vendedor ambulante em São Paulo.
Arquivo pessoal
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo indiciou por homicídio sete policiais militares envolvidos na abordagem e morte do vendedor ambulante David Nascimento dos Santos, de 23 anos, no dia 24 de abril.
Em maio, o relatório da própria corregedoria havia apontado que os PMs poderiam responder por “cárcere privado com resultado morte”, mas a conclusão foi revista depois de diligências complementares no inquérito que investiga o caso.
O jovem David era morador da favela do Areião, no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo. No dia do crime, ele saiu para receber um lanche na esquina de uma viela, quando foi abordado por PMs e colocado no banco de trás de uma viatura do Baep (Batalhão de Ações Especiais Policiais). Uma câmera gravou a abordagem e denunciou o ocorrido.
Horas depois, o rapaz apareceu morto na favela da Fazendinnha, em Osasco, na Grande SP. Os policiais alegaram que o rapaz tinha se envolvido em um tiroteio.
Moradores de favela no Jaguaré protestam pela morte de rapaz de 23 anos
Segundo o relatório da Corregedoria ao qual o G1 teve acesso, David foi morto por disparos de arma de fogo e não teve apenas ferimentos de outras lesões, como tinha sido afirmado por testemunhas.
Em 4 de maio, a Justiça Militar já tinha decretado a prisão de oito PMs investigados no caso. Mas o juiz do processo revogou a prisão de um oitavo cabo, que estaria em outro local na hora do crime.
O documento da Corregedoria afirma que duas equipes de PMs estão envolvidas no episódio. Uma formada por um sargento, um cabo e dois soldados praticou homicídio e cárcere privado. Já a outra, composta por um sargento, um cabo e um soldado foi inquerida para o crime de homicídio.
“Entendo que ainda que as duas equipes praticaram o crime de fraude processual, uma vez que as vestes foram alteradas, bem como uma arma de fogo foi colocada na cena do crime, a fim de induzir ao erro as autoridades”, diz o relatório da Corregedoria.
Conforme o documento, o sequestro de David foi comprovado no laudo pericial realizado com as imagens das câmeras de segurança. O caso também é investigado em um inquérito na Polícia Civil pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
A Corregedoria da corporação informou que os sete PMs envolvidos na ação foram levados ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
Em nota, os advogados Raphael Blaselbauer e Stefano Fabbro, que representam a família da vítima, informaram que a mudança no indiciamento com as novas peças juntadas no inquérito da Corregedoria da PM já foi informada aos parentes do vendedor.
“A família recebe a notícia reconfortada e diz: ‘a Justiça prevalecerá’.”
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