Coronavírus: 13,9% dos casos suspeitos de Campinas esperam desde março resultados de exame no Adolfo Lutz, diz prefeitura


Segundo o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), 228 exames do total de pacientes suspeitos foram colhidos desde o início de abril. Lutz afirma que não há fila de espera. Campinas tem 265 exames aguardando resultado para Covid-19.
Ely Venancio/Reprodução EPTV
Campinas (SP) tem, até esta sexta-feira (1), 265 casos de pacientes que apresentaram sintomas e colheram exames para diagnóstico da Covid-19. Destes, 37, que equivalem a 13,9% do total, esperam resultados desde março, portanto há mais de um mês. Segundo o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) da prefeitura, todos estão sendo analisados pelo Instituto Adolfo Lutz.
Os demais 228 pacientes coletaram amostras ao longo do mês de abril, que estão sendo analisadas pelo Lutz e laboratórios particulares. Em entrevista ao G1 nesta semana, a diretora do Devisa, Andrea von Zuben, ressaltou que os casos confirmados diariamente na cidade não são todos novos, mas alguns ainda do início de abril e até mesmo de março.
Com 347 casos confirmados e 20 mortes, Campinas chegou a divulgar 32 casos positivos em um único dia, 28 de abril.
“Não foram 32 casos novos. O Adolfo Lutz está limpando a bancada deles. Pegam um tanto antigos e um tanto novos. […] Casos de março e abril. Isso vai acontecer até eles conseguirem limpar. Em breve não vai mais ter antigos, mas ainda não chegamos nisso ainda”, disse Andrea.
A prefeitura ressaltou que “os resultados começaram a sair mais rapidamente agora porque o Instituto Adolfo Lutz aumentou o número de laboratórios habilitados a fazer os testes”. No entanto, o Instituto afirma não ter mais exames na fila.
Lutz chegou a 20 mil exames na fila
O Instituto, que é referência no estado para diagnóstico do novo coronavírus, chegou a ter 20 mil amostras in natura armazenadas em geladeiras, indicadas para conservação por até 72 horas desses materiais. Esse foi o resultado de uma fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em 9 de abril.
Após esse quadro, outros laboratórios foram credenciados e uma força-tarefa foi determinada pelo governo estadual para agilizar as análises. Atualmente o Instituto Butantan centraliza as informações e as demandas de cada unidade de diagnóstico no estado. São 38 laboratórios com capacidade de análise de 5 mil amostras por dia.
20 dias de espera, e resultado negativo
Professora do Instituto de Química da Unicamp, Cassiana Montagner foi uma das pacientes de Campinas que aguardaram pelo resultado. Foram 20 dias de espera ao todo, e o exame deu negativo.
Professora da Unicamp, em Campinas, Cassiana Montagner esteve em isolamento domiciliar com suspeita de coronavírus, mas resultado deu negativo.
Reprodução/EPTV
Em 17 de março, ela relatou os sintomas e a condição de isolamento social por conta da suspeita da doença. Ela estava preocupada porque chegou a ter contato com os alunos antes do início da quarentena. Nesta sexta, Cassiana lembrou ao G1 como foi conviver com a dúvida sobre o diagnóstico, mesmo após melhorar dos sintomas.
“Acho que o mais difícil foi lidar com as incertezas, o risco de contaminação e a questão do isolamento e do contágio. As minhas filhas ficaram com o pai na casa dos avós, para que eu pudesse me cuidar. Os meus alunos ficaram bastante preocupados, porque de alguma forma tiveram contato comigo. E a gente entendeu a dimensão da rede de contágio, de como esse vírus pode circular”.
“Foram centenas de pessoas que ficaram esperando comigo esse resultado, com medo e com aquela apreensão de que se pudessem ou não estar infectadas também. Foi um transtorno bastante grande ter ficado tanto tempo esperando. Além disso, me foi dito no início que o resultado sairia em três dias, e demorou 20. Então, faz uma diferença bastante grande para controlar a ansiedade”, completa a docente.
O que aconteceu com os 37 exames?
O G1 procurou o Butantan para saber se há um prazo para que os 37 exames de Campinas de março sejam liberados, e o instituto respondeu que não existem mais exames na fila.
“A Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de Coronavírus no Estado de São Paulo, coordenada pelo Instituto Butantan, informa que não há mais demanda reprimida por exames de Covid-19. Entretanto, é importante destacar que cabe aos serviços de saúde realizar a coleta de amostras de forma adequada e enviá-las à rede”, diz a nota.
Segundo o departamento de comunicação, os resultados saem em 48 horas e a demanda diária tem sido de aproximadamente 2 mil exames, não atingindo, portanto, a capacidade máxima. A fila foi zerada em 21 de abril e a previsão é que mais laboratórios entrem na rede em maio, aumentando a capacidade diária para 8 mil análises.
“Os resultados dos exames são lançados em sistema aos quais os serviços de saúde têm acesso. Cabe ao hospital que realizou a coleta informar o resultado dos testes aos pacientes ou a seus familiares, bem como realizar a devida notificação ao SUS”.
Nesta quinta (30), Dimas Covas, chegou a relatar que parte das amostras foram descartadas por falhas na coleta e no registro das amostras para detecção de Covid-19. O Butantan divulgou uma campanha para armazenamento correto dos exames.
Fiscalização do Cremesp flagra amostras de exames de Covid-19 em geladeiras comuns do Instituto Adolpho Lutz.
Reprodução/TV GLobo
O G1 questionou a prefeitura sobre o destino dos 37 exames, mas não teve retorno até esta publicação.
Nos próximos dias, os casos positivos de Campinas devem aumentar, visto que a prefeitura começou a testar pessoas que apresentaram sintomas anteriormente e não tinham passado pelo teste, incluindo também profissionais de saúde. De acordo com o Devisa, 1 mil testes rápidos foram comprados e outros 5 mil doados para verificação da presença de anticorpos em quem chegou a contrair o vírus.
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Guilherme Luiz Pinheiro/Arte G1
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By Negócio em Alta