Cientista alerta para necessidade de respeitar quarentena: ‘Cada dia que alguém sai, a gente estica o prazo’, diz


Epidemiologista da UFPE, Jones Albuquerque afirma que número de mortes em PE é ‘retrato das pessoas que não se aquietaram’. Quarentena foi decretada em cinco cidades. Cientista reforça respeito à quarentena: ‘cada dia que alguém sai, a gente estica o prazo’
O resultado da quarentena decretada pelo governo estadual, na segunda-feira (11), em cinco cidades do Grande Recife vai depender da adesão da população à determinação, apontou o cientista do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Jones Albuquerque. Os 15 dias são essenciais e, cada desobediência ao decreto significa mais tempo de isolamento, explicou. (veja vídeo acima).
“Duas semanas é o tempo que a gente espera que grande parte da população, ficando em casa, não se contamine. Cada dia que alguém sai, a gente estica o prazo [de isolamento] em dias”, disse.
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O governo estadual não utiliza o termo “lockdown”, mas o decreto de quarentena proíbe que pessoas saiam de casa sem necessidade, a partir de sábado (16), no Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata. Além disso, vai ser implantando rodízio de veículo e o uso obrigatório de máscara.
“A gente só vai saber se as medidas são suficientes com o tempo. O que observamos na história da pandemia é que há ondas de pessoas contaminadas andando no estado. Onde a onda de óbitos é muito forte e concentrada, o governo anunciou as medidas. Se a gente não trava o sistema, a onda continua crescendo e indo pro interior do estado”, explicou o cientista.
Carros e motos circulam pela Avenida Governador Agamenon Magalhães, no Recife, nesta segunda-feira (11)
Reprodução/TV Globo
Albuquerque também explicou que a Covid-19 precisa de duas semanas de isolamento, no mínimo, para que os efeitos do combate possam ser sentidos. Segundo ele, o ideal é que as cidades cheguem a 70% de isolamento nesse período. “O simples fato de tocar na maçaneta da porta e outra pessoa tocar já é um processo de contaminação”, declarou.
Desde o início da pandemia, em março, Pernambuco registrou 1.087 mortes por Covid-19, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde divulgado na segunda (11). Para Jones, esse número poderia chegar a cerca de 3,5 mil óbitos se não houvesse determinação de isolamento social.
“[Os mil casos são] o retrato das pessoas que não se aquietaram. […] As pessoas tem que ficar todas em casa. Quem não faz ‘lockdown’ destrói o processo todo”, disse.
O cientista apontou também que é ilusório pensar que o normal da vida será o mesmo de antes da pandemia. “Na primeira e segunda semana de junho, voltaríamos ao pseudo normal, que é a rotina com muito cuidado [caso todos respeitem a quarentena]”, explicou.
Segundo o cientista, a morte parecer “cotidiana” no estado dificulta a compreensão de uma parcela da sociedade. “As pessoas só vão perceber [a gravidade] quando um familiar for a óbito. Quando chegar nesse nível, vamos ver caminhões do exército levando corpos, como na Itália, e pode ser que a gente tenha perdido o controle completamente e não consiga voltar atrás como a Itália fez”, afirmou.
Capitais com circulação restrita por causa do coronavírus
Amanda Paes/G1
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By Negócio em Alta