Ceará é o 4º estado do país que mais possui familiares cuidando de idosos, afirma IBGE


Estado tem 11,9% da população que se dedica a essa função, de acordo com pesquisa. Elisângela de Sousa era operadora de telemarketing e deixou o trabalho para cuidar da mãe de 84 anos
Arquivo pessoal
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (4), o número de familiares que cuidam de idosos cresceu em todo o país, dando destaque para a região Nordeste, que concentra estados onde tem as maiores taxas desse ranking. O Ceará se encontra em quarto lugar, com 11,9%, perdendo apenas para o Rio Grande do Norte, com 15,2%, Rio de Janeiro e Maranhão, ambos com 12,3% .
A realidade atual de Elisângela de Sousa, de 43 anos, é um dos exemplos dessa mudança que está acontecendo em todo o país. Ela era operadora de telemarketing, largou o emprego e passou a se dedicar apenas a mãe, Maria do Socorro Pinto, de 84 anos. “Nessa fase, nessa idade, o que ela [a mãe] está precisando, é de segurança. Ela tem que está segura, é muito ansiosa, é hipocondríaca. Então eu tive que parar [tudo] e dizer ‘tem que ser eu’, porque se eu deixasse ela na mão dos outros, não ia dar certo”, declara Elisângela.
As informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD-C 2019), mostram que o número de parentes que cuidavam de pessoas com mais de 60 anos passou de 3,7 milhões, no ano de 2016, para 5,1 milhões em 2019. A pesquisa levantou dados sobre cuidados de idosos, enfermos, crianças e pessoas com necessidades especiais.
Impactos
Para Elisângela, apesar de ter sido a melhor escolha no momento, se dedicar unicamente a mãe, não impediu os impactos sofridos, que foram tanto na rotina, que mudou completamente, quanto no financeiro. “O mais difícil foi a parte financeira. O meu financeiro sempre foi bom para a estabilidade da família, agora sem o meu financeiro, eu tive que cortar muitos gastos. O que é mais difícil é que com meu [dinheiro] completava o dela, porque o que ela ganha, não dar para suprir nem a necessidade dos remédios”, conta.
Dentre os cuidados citados na pesquisa, são apontadas ações como monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio, em 83,4% dos casos, e auxiliar nos cuidados pessoais, no caso de 74,1% das pessoas.
É justamente o caso de Elisângela, que lida com esses dois tipos de cuidados, no seu cotidiano, convivendo em tempo integral com a mãe idosa. “Eu lido com aquela rotina de medicação, de banho, porque ela já está nessa fase. Eu tinha uma rotina totalmente agitada, então a minha rotina mudou totalmente”, pontua. “Tive que abrir mão do meu mundo, para ajudar ela nesse momento”, destaca.
Por maiores que tenham sido os impactos dessa mudança, Elisângela destaca que a paz de espírito por est ao lado da mãe, nesse momento tão delicado, é o que lhe motiva a seguir com essa escolha. “Eu estou dando o meu melhor no momento de vida da minha mãe, mesmo com a rotina do idoso, que não é uma rotina fácil. Então só em saber que ela está viva, está com saúde, no meio dessa pandemia. [É] um sentimento de dever cumprido”, conclui.
Rotina doméstica
O levantamento também mostra que o brasileiro tem se dedicado mais à rotina doméstica, passando de 81,3% em 2016 para 85,7%, no ano de 2019. Para a analista do IBGE, esse aumento pode ser “efeito da crise do mercado de trabalho e da queda de renda das famílias, reduzindo as possibilidades de contratar empregada doméstica”, explica Alessandra Scalioni Brito.

By Negócio em Alta