Casal de estudantes na Argentina volta de carro ao Brasil após voos cancelados e fronteiras fechadas: ‘Alívio’


Com família em Itápolis, interior paulista, estudante de medicina Ricardo Govoni decidiu voltar no fim de março com o avanço da pandemia do coronavírus, mas precisou de autorização para sair do país por meio terrestre. Ricardo e a namorada estudam medicina na Argentina
Arquivo pessoal
Um casal de brasileiros que estuda medicina em Rosário, na Argentina, enfrentou dificuldades para voltar ao Brasil depois que tiveram passagens de ônibus e voos cancelados por causa da pandemia de coronavírus, além das fronteiras do país terem sido fechadas.
Ao G1, o estudante Ricardo Govoni afirmou que decidiu sair da Argentina junto com a namorada, Shelsia Vilela, antes mesmo das aulas serem suspensas e as fronteiras fechadas. Contudo, a viagem de volta não foi nada fácil.
Ricardo relata que houve o cancelamento dos voos, o que fez com que ele e a namorada ficasse na Argentina quando decretaram o fechamento das fronteiras. Com isso, eles precisaram “lutar” por uma autorização para viajar e retornar ao Brasil.
“Decidi voltar para Itápolis, cidade onde mora a minha família, antes da paralisação, pois como agente de saúde com certificado em epidemiologia sabia que a situação iria se agravar. Só que nesse meio tempo surgiu o cancelamento dos voos e restrições rígidas dentro da Argentina. Nosso voo foi cancelado e nossa passagem de ônibus.”
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A situação do brasileiro chegou até à Câmara de Vereadores de Itápolis, que chegou a enviar uma moção de apelo ao Itamaraty no dia 2 de abril. Mas, segundo Ricardo, depois de muita insistência dele no consulado brasileiro na Argentina, ele conseguiu uma autorização para viajar por meio terrestre e voltar para o Brasil.
Assim, ele conta que pagou cerca de R$ 1 mil para um motorista particular autorizado a rodar pelo país até a fronteira da Argentina com sul do Brasil e de lá alugaram um carro para chegar a Itápolis.
“Muita gente está lá ainda, buscando meios pra voltar, com medo de não conseguir, com medo de ficar sem dinheiro ou de arriscar um transporte e se contaminar. Sabia dos riscos que estava correndo e tomei os cuidados pra evitar uma contaminação”, afirma.
Ricardo e a namorada voltaram de carro para o Brasil
Arquivo pessoal
O estudante ainda conta que, após terem as viagens canceladas, a situação ficou mais complicada para os estrangeiros que estavam na Argentina. Alguns brasileiros formaram um grupo para negociar com o consulado a repatriação.
“Muitos ainda estão lá buscando voltar e com medo do que está por vir. Se eu não me engano, até o dia que consegui vir pra casa, no começo de abril, apenas 60 brasileiros conseguiram repatriação por serem turistas, que estavam em Buenos Aires”, afirma.
“Entretanto, existem milhares de brasileiros que não são considerados turistas, como os que possuem o documento de residente, que é o meu caso e de muitos estudantes, que são maioria dos brasileiros.”
Em casa
O estudante conta que a preocupação maior para voltar foi com a mãe que é comerciante em Itapólis e teve o negócio bastante afetado com a quarentena imposta no estado de SP pelo avanço do coronavírus. “Decidimos que eu deveria voltar para amenizar economicamente a crise que viria”, completa.
Porém, ao chegar em casa, no dia 4 de abril, cumpriu por conta própria o isolamento social de 14 dias na casa dos parentes da namorada, já que não poderia ficar com os avós, na faixa de 80 anos, e a mãe que tem mais de 50 anos.
“Chegar foi um alívio e cumpri com meu dever de me isolar adequadamente. As pessoas que estão no exterior com dificuldades, seja ela financeira, psicológica, ou o que for, se torna um alívio voltar para o berço familiar.”
Mais de cinco mil brasileiros pelo mundo tentam repatriação
“Só a gente, dos meus amigos, conseguiu voltar. Mas eu precisei ficar em cima dia e noite do consulado pra que isso acontecesse.”
Agora, o jovem conta que pretende ficar em casa, estudar e voltar para Argentina para concluir os estudos assim que for possível. Segundo Ricardo, o ano letivo nem chegou a começar na Argentina por conta da pandemia.
“A tendência ainda é piorar, principalmente nos países onde o distanciamento social não é respeitado. A prevenção é a melhor medida para o achatamento da curva de casos enquanto uma vacina não fica pronta.”
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By Negócio em Alta