
Ação da Cáritas já ajudou mais de 1,2 mil pessoas. Refugiados ouvidos pelo G1 relatam dificuldades para comprar alimentos e para pagar aluguel. Campanha da Cáritas arrecada dinheiro para ajudar famílias de refugiados no Rio
Reprodução/Redes sociais
Refugiados que vivem no Rio enfrentam ainda mais dificuldades durante a pandemia do novo coronavírus. Com o objetivo de apoiá-los, o Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio da Cáritas (PARES Cáritas RJ) lançou uma campanha de doação para recolher recursos para as famílias.
A venezuelana Clairet Cocchiri, de 26 anos, é uma das beneficiadas pela ação. Ela contou que recebeu R$ 500 do programa e, com o valor, conseguiu pagar o aluguel da quitinete onde ela mora com o marido e as três filhas no Morro do Banco, no Itanhangá, na Zona Oeste. O imóvel tem três cômodos.
Desempregados, ela e o esposo buscam um emprego mesmo durante o isolamento social. Em entrevista ao G1, ela contou as dificuldades que enfrenta sem receber um salário.
“Tem mês que a gente consegue uma cesta básica e dá para sobreviver. A criança tem vez que fica sem fralda, a outra acaba de fazer 3 anos e fica sem leite. A gente tem que procurar, sair na rua, pegar latinha, para tentar comprar leite e fralda”, lamentou a venezuelana.
Clairet trabalhava em um quiosque da praia de Copacabana, na Zona Sul, mas afirmou que foi demitida porque o dono do estabelecimento não quis assinar a carteira de trabalho. Já o marido, que havia encontrado um emprego de lavador de pratos em um restaurante, não ficou nem uma semana por causa do fechamento do comércio.
“Se a gente consegue arrumar um emprego, a gente já fica melhor de vida. A gente só quer arrumar um bom emprego, só isso”, declarou Clairet.
Refugiados venezuelanos procuram emprego no Rio durante a pandemia do novo coronavírus
Reprodução/Arquivo pessoal
De acordo com dados divulgados pela Cáritas, no Brasil, muitos refugiados têm trabalho informal e tiveram que parar de trabalhar por causa das medidas para conter a Covid-19.
Outra refugiada que recebeu o auxílio foi a venezuelana Yulli Tarazona, de 27 anos. Ela chegou ao Rio de Janeiro há cerca de 1 ano com as duas filhas pequenas e mora em uma residência simples em uma comunidade na Pavuna, na Zona Norte.
Ela contou que o dinheiro recebido foi basicamente para comprar alimentos.
“Agora na pandemia eu recebi ajuda. Fizeram um depósito para mim. Eu gastei o dinheiro para comprar fruta, biscoito”, disse a venezuelana.
Em maio, Yulli conseguiu um emprego provisório de costureira no Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ela disse que deixa as filhas com uma vizinha para poder trabalhar.
A campanha
A meta da ação da Cáritas é angariar R$ 55 mil para atender 100 famílias (confira como doar no fim da reportagem). Cada uma terá autonomia para usar o dinheiro, segundo o programa.
“Estamos recebendo muitas ligações de pessoas que trabalhavam na informalidade e que neste momento estão preocupadas em como vão garantir o seu sustento. Somos uma instituição que trabalha há muitos anos com populações em situação de refúgio e que conta com uma rede de parceiros, mas com toda a demanda, sabemos que não é o suficiente. Com a campanha, esperamos ampliar a rede”, disse Débora Marques, assistente social do programa.
A Cáritas informou que, desde o início da pandemia, diversos refugiados e solicitantes de refúgio relataram dificuldades diante das medidas anunciadas para conter a Covid-19, como falta de dinheiro para comprar comida ou para pagar o aluguel.
Até a publicação dessa reportagem, mais de 2,8 mil atendimentos já foram realizados por integrantes do programa durante a disseminação do novo coronavírus. Com as medidas de isolamento, as visitas foram suspensas, mas o acompanhamento segue por um aplicativo de mensagens.
Até esta quarta-feira (3), a campanha já ajudou mais de 800 pessoas com doação de alimentos, leite e itens de limpeza e higiene. O auxílio financeiro foi destinado a cerca de 760 refugiados.
Como ajudar
Interessados em participar da campanha da Cáritas devem acessar o link e efetuar a doação a partir de R$ 10. A plataforma aceita diversas formas de pagamento. É possível, inclusive, parcelar a doação de acordo com o valor.
*Estagiária, sob a supervisão de João Ricardo Gonçalves
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