Pelos registros de cartórios, já nasceram mais de 200 mil brasileirinhos no meio desse isolamento todo. Brasileiras contam os desafios de se tornar mãe no meio da pandemia de coronavírus
O domingo (10) será um Dia das Mães bem diferente para muitas mulheres pelo país. Aquele abraço apertado nos filhos e netos vai ter que esperar um pouquinho. O desafio é maior ainda para quem se tornou mãe no meio da pandemia.
Lucas e Mateus vieram ao mundo faz um mês. Um mundo novo até para quem já vivia aqui.
“A gente não pôde receber visita de ninguém no hospital e pediram também para não ficar caminhando pelo corredor, para ficar dentro do quarto o máximo possível”, conta Priscila Velloso, mãe dos bebês.
Nesse mundo novo, a Priscilla tem que aprender a ser mãe – e de dois. A sogra ficou em isolamento antes de vir ajudar. Mãe já vive preocupada com a saúde dos filhos, imagine agora?
“Onde a gente mora, tem muitas agências bancárias ao redor então está tudo com muita fila. Teve um dia que eu precisei sair para comprar remédio para eles na farmácia e estava muito tumultuado assim e eu fiquei muito agoniada. Eu fiquei muito agoniada com a situação de ter pego alguma coisa e transmitir para eles”, conta a mamãe.
O Benício nasceu nos primeiros dias da quarentena em São Paulo. Os avós paternos estiveram com o neto apenas por alguns minutos, e nem pegaram no colo.
“Tomaram todas as precauções de higienização, trocaram até a roupa, viram um pouquinho o neto”, conta João Paulo Campos, pai do bebê.
A avó materna também fez isolamento antes de vir para ajudar por dez dias. O resto da família só conhece o Benício assim.
“Ele está muito grande, Manu, olha! ”, diz um parente durante uma chamada.
“Oi, pessoal! ”, responde Camila, mãe do Benício.
“A gente tenta tirar o máximo de fotos possível dele, fazer videoconferência com eles para ir mostrando”, explica Camila Campos.
A mãe já começou a ensinar para o filho que, quando o mundo está normal, o legal, mesmo, é ficar junto.
“Fala assim: ‘Pessoal, já, já eu vou encontrar com vocês para a gente brincar um monte!’”, brinca a mamãe.
Pelos registros de cartórios, já nasceram mais de 200 mil brasileirinhos no meio desse isolamento todo. Isso dá uma ideia de quantos avós, tios, primos estão ansiosos para ver esses bebês de perto. Mas essa epidemia também tem histórias em que o recém-nascido foi separado da própria mãe.
Renata estava no sétimo mês de gravidez quando pegou Covid-19. Foi levada para UTI.
“Quando o médico veio na UTI para mim e disse, olha: é a gente que vai fazer seu parto, vai ser preciso fazer, você está piorando. O maior medo que tive foi quando ele começou a falar que eu teria que ser entubada, eu tinha medo de não voltar”, lembra a escriturária, Renata Travagin.
Lorenzo nasceu sem a doença, foi para incubadora enquanto a mãe passou 13 dias na UTI. Só depois é que ela conheceu o filho.
“Para mim ele estava nascendo ali naquele momento. É lógico que tem um período para gente enfrentar pela frente, até ele se recuperar, pegar peso e ficar bem, para poder vir para casa”, conta ela.
Renata vai passar o dia com a filha de 9 anos. E com a força de uma sobrevivente.
“Passou um misto de sentimentos, de alegria e também de falta porque eu queria que o Lorenzo estivesse em casa. É Dia das Mães, isso ninguém tira de mim”, diz.
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