BH não tem data para reabrir seus 75 parques, mas prefeitura já estuda protocolos e especialistas discutem benefícios e riscos


Além dos parques, cinco das 775 praças da cidade estão cercadas por grades desde março. Praça da Liberdade está cercada com grades e fechada para a população de Belo Horizonte desde o início da pandemia.
Cristina Moreno de castro / G1 Minas
Todos os 75 parques municipais de Belo Horizonte estão fechados para a população de Belo Horizonte desde o final de março, quando o isolamento foi imposto na capital como forma de prevenção contra o novo coronavírus. Além disso, cinco das 772 praças da cidade estão cercadas por grades, fechadas para visitação: Praça do Papa, Praça da Liberdade, Praça JK, Praça da Assembleia e Lagoa Seca, além da Orla da Lagoa da Pampulha aos finais de semana e feriados.
Mesmo sendo ambientes abertos, de lazer ao ar livre, a Prefeitura de Belo Horizonte não incluiu praças e parques na fase 1 da flexibilização – que permitiu, por exemplo, a abertura de shoppings e lojas de rua desde o dia 6 de agosto. Eles só poderão reabrir na fase 2, que não tem data para ser liberada, junto com bares, restaurantes e museus.
Quando puderem voltar a ser aproveitados pelos moradores da capital, os parques e praças terão alguns protocolos de segurança, assim como já aconteceu com as outras atividades. E, de acordo com o infectologista Carlos Starling, que integra o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, os detalhes para uso desses espaços já estão em fase final de elaboração.
Apesar de oferecerem menos riscos que ambientes fechados para proliferação do coronavírus, o especialista lembrou que não é recomendável aglomerar e que os cuidados devem ser mantidos nesses locais.
“Na praça da Pampulha, por exemplo, ficam vários ambulantes ali. E ficam muito próximos um dos outros, o que favorece aglomeração. Tem que ter treinamento da Guarda para orientar este pessoal. Tem que ter processo de orientação de ambulantes. Já o pessoal que pratica esportes, academias, atividades ao ar livre, que organiza corridas, tem que ser orientado também”, afirmou.
A abertura de áreas de lazer neste momento preocupa a infectopediatra Andrea Lucchesi. Embora os casos de Covid-19 sejam estatisticamente menores em crianças, o risco ainda existe, mesmo em espaços abertos. E as crianças tendem a se juntar umas com as outras.
“A grande maioria das crianças têm sintomas leves de Covid-19. O problema é que podem transmitir para outras pessoas, para o avô, para o parente que tem comorbidades. Não vai ter sintomas importantes, mas transmite. O problema é que mesmo em área aberta o vírus pode ficar no ambiente por quatro horas. E higiene num parquinho é complicado. A criança põe mão no rosto, senta no chão. As menores de 2 anos não conseguem colocar a máscara nem ficar com ela. É até contraindicado”, enfatizou.
Praça do Papa está fechada para a população de Belo Horizonte desde o início da pandemia.
Cristina Moreno de Castro / G1 Minas
Já no caso dos idosos, a possibilidade de ter um parque para caminhar pode ser benéfico para a saúde física e mental, desde que mantidos todos os cuidados de higiene e distanciamento. É o que diz o coordenador do Programa de Residência Médica em Psicogeriatria do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, Bernardo de Mattos Vianna:
“Abrir parques sem dúvida traz benefícios. Se o idoso tem a rotina de sair e fazer caminhada, é ruim para saúde física e mental que isso seja impedido. Sem dúvida, o parque teria vantagem para a saúde das pessoas. Mas, dependendo do parque, tem que ter controle de acesso”, defende o geriatra.
Ele sugere que o idoso que gosta de praticar atividades ao ar livre opte por ir próximo de casa. “Idealmente, a pessoa, ao fazer exercício físico, deve tentar fazer perto do domicílio. Se desloca em transporte público, vai ter risco no transporte. Utilizar equipamentos da sua comunidade é mais interessante. Lembrando que a academia a céu aberto da cidade, se for usar, tem que higienizar com álcool ou com solução de água sanitária antes”, afirmou.
Academia a céu aberto de Belo Horizonte.
Marcelo Machado / PBH
O que diz a PBH
O G1 questionou por que os shoppings já foram reabertos, enquanto parques e praças continuam fechados. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), “o objetivo foi o de permitir que lojistas retomem suas vendas físicas, mas seguindo a premissa de que as pessoas saiam quando necessário para realizarem suas compras e retornem para suas casas”.
No entendimento da prefeitura, os shoppings não são “atividades de lazer”, que só voltarão a funcionar, assim como as práticas de atividades físicas, “após a prefeitura verificar os impactos da primeira onda de flexibilização”.
Lojas de rua puderam voltar a abrir em BH, assim como shoppings, e o centro da cidade ficou movimentado nesta quarta-feira (12).
Carlos Eduardo Alvim/TV Globo
O G1 também questionou qual foi o critério adotado para escolher as praças que seriam cercadas e as que continuaram abertas, como a Floriano Peixoto, na região hospitalar da capital. Segundo a prefeitura, “foram fechados todos os espaços que estavam causando grande aglomeração. Quando a Prefeitura de Belo Horizonte decidiu pelo fechamento, a população não estava respeitando o distanciamento e não tinha aderido às máscaras”.
O que já pode funcionar em BH
Depois que a prefeitura decidiu iniciar a fase 1 de flexibilização, as seguintes atividades puderam voltar. Nesta semana, elas seguem os seguintes horários:
Todo o comércio varejista não contemplado na fase de controle: Estabelecimentos de rua, centros de comércio e galerias de lojas: quarta a sexta, entre 11h e 19h.
Comércio atacadista da cadeia do comércio varejista da Fase 1 (incluindo vestuário): quarta a sexta, entre 11h e 19h.
Cabeleireiros, manicures e pedicures: quinta a sexta, entre 11h e 20h; sábado, entre 9h e 17h.
Atividades autorizadas na fase 1 dentro de shopping centers: quarta a sexta, entre 12h e 20h. Praças de alimentação funcionarão somente por delivery ou retirada, sem consumo no local.
Atividades no formato drive-in: sexta a domingo, das 14h às 23h.
Atividades que já estavam permitidas mesmo antes da flexibilização:
Padaria: 5h às 21h
Comércio varejista de laticínios e frios: 7h às 21h
Açougue e Peixaria: 7h às 21h
Hortifrutigranjeiros: 7h às 21h
Minimercados, mercearias e armazéns: 7h às 21h
Supermercados e hipermercados: 7h às 21h
Artigos farmacêuticos: Sem restrição de horário
Artigos farmacêuticos, com manipulação de fórmula: Sem restrição de horário
Comércio varejista de artigos de óptica: 11h às 19h
Artigos médicos e ortopédicos: 11h às 19h
Tintas, solventes e materiais para pintura: 7h às 21h
Material elétrico e hidráulico, vidros e ferragens: 7h às 21h
Madeireira: 7h às 21h
Material de construção em geral: 7h às 21h
Combustíveis para veículos automotores: Sem restrição de horário
Peças e acessórios para veículos automotores: 8h às 17h
Comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP): Sem restrição de horário
Comércio atacadista da cadeia de atividades do comércio varejista da fase de controle: 5h às 17h
Agências bancárias: instituições de crédito, seguro, capitalização, comércio e administração de valores imobiliários: Sem restrição de horário
Casas lotéricas: Sem restrição de horário
Agência de correio e telégrafo: Sem restrição de horário
Comércio de medicamentos para animais: Sem restrição de horário
Atividades de serviços e serviços de uso coletivo, exceto os especificados no art. 2º do Decreto nº 17.328, de 8 de abril de 2020: Sem restrição de horário
Atividades industriais: Sem restrição de horário
Banca de jornais e revistas: Sem restrição de horário
As fases poderão avançar de 15 em 15 dias, sempre que os indicadores (taxa de transmissão do vírus, taxa de ocupação dos leitos e número de casos confirmados e mortes) permitirem. A mudança de fases será precedida por publicação de decreto e entrevista coletiva, com todas as informações e protocolos que serão adotados.
Veja as atividades liberadas nas próximas fases:
Atividades que poderão voltar a funcionar em cada fase, segundo protocolo da Prefeitura de BH.
Reprodução
As seguintes atividades ainda não estão contempladas em nenhuma das fases e seguem em estudo de quando seriam mais seguras para voltarem:
Casas de shows e espetáculos de qualquer natureza;
Boates, danceterias, salões de dança;
Casas de festas e eventos;
Cinemas e teatros;
Clubes de serviço;
Parques de diversão e parques temáticos;
Feiras livres
Autorizações para eventos em propriedades e logradouros públicos;
Autorizações de feiras em propriedade;
Autorizações para atividades de circos e parques de diversões.
Escolas
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By Negócio em Alta