
Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais da cantora, os dois debateram sobre mudança sugerida pelo político nas regras de eventos e serviços culturais. Anitta e deputado Felipe Carreras (PSB) discutem sobre emenda dos direitos autorais
A cantora Anitta fez uma transmissão ao vivo na terça-feira (5) em uma rede social para pedir esclarecimentos ao deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE) sobre a medida provisória sugerida por ele, que propõe mudanças no pagamento e recebimento de direitos autorais. A conversa entre os dois causou até certa polêmica porque, em alguns momentos, o clima ficou tenso (veja vídeo acima).
“Tenho falado com vários artistas, vários compositores que não chegaram a ter grande visibilidade nacional. Você venceu na música pelo talento”, chegou a dizer Felipe. Mas Anitta retrucou: “Mas tirar o direito autoral desse artista seria uma forma de ajudar ele?”. O deputado rebateu: “Não estou tirando direito do artista”. A cantora foi firme: “Como não?”.
Em outro momento, Felipe Carreras disse que era aberto ao diálogo e Anitta rebateu: “Mas uma emenda emergencial durante o coronavírus não é diálogo. É justamente você pegar e falar assim: ‘Vamos embora que é urgente, vamos mudar isso e tirar os direitos’. Isso não é diálogo. Diálogo é você conversar, todo mundo junto em um momento que eu acho que não é esse porque todo o legislativo do Brasil devia estar preocupado com o coronavírus”.
Anitta e Felipe Carreras (PSB) debateram sobre emenda de mudança no pagamento do direito autoral
Reprodução/Instagram
Em entrevista ao NE1, o deputado federal foi convidado a explicar o que propõe com a medida provisória e qual seria a cobrança mais correta junto ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
“Nossa sugestão da emenda é para alterar o critério de cobrança do Ecad. Na nossa proposta, o contratante vai pagar um valor adicional à entidade que representa os artistas, ou seja, o Ecad. Não será subtraído. Essa ideia, que poderá ser aprimorada com a classe artística, é fazer com que eles tenham mais transparência na medida que eles vão poder acompanhar. O que eles representaram efetivamente de direito autoral durante um ano, para eles terem o controle”, disse.
Carreras ainda explicou como funciona o pagamento hoje. “Se o cachê for R$ 100 mil, o artista vai receber R$ 100 mil e o contratante paga R$ 5 mil à entidade, ao Ecad”.
Perguntado se, além dos cantores, os compositores e outros profissionais que trabalham com música também vão receber os direitos, o deputado explicou: “Não será retirado nenhum intérprete, nenhum compositor. Ou seja, o autor da obra, o intérprete da obra teria preservado o seu direito na medida em que o contratante pagou à entidade que representa a classe. A nossa ideia, que poderá ser aprimorada, visa dar mais transparência e justiça a quem paga e a quem recebe”.
O que diz o Ecad
Procurado pela TV Globo, o Ecad se posicionou através de uma nota que diz que “a proteção do direito autoral é garantida pela Constituição. E entendemos que a Medida Provisória 948, que trata da relação de consumo decorrente do cancelamento de serviços e reservas de shows e eventos por causa do coronavírus, não é o instrumento apropriado para um debate sobre os direitos autorais”.
“Para o Ecad, a emenda proposta reduz a remuneração dos compositores, como tira a responsabilidade dos produtores de eventos em pagar pelo direito autoral e transfere para os intérpretes”, diz o texto.
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