Bolsonaro esconde Mandetta em coletiva com outros cinco ministérios e acirra conflito

O governo federal escondeu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na coletiva de imprensa para divulgação dos dados sobre o coronavírus. Nesta segunda-feira (30), o chefe da pasta teve que dividir o tempo e espaço com outros três ministérios, Defesa, Casa Civil e Cidadania, além da Advocacia Geral da União (AGU).

Escondido, Mandetta falou por apenas 13 minutos, tempo distante das quase duas horas que teve coletiva de imprensa da última sexta-feira (27). Após o pronunciamento dos ministros, as perguntas dos jornalistas se concentraram no ministro da Saúde, que não negou o clima ruim com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“As tensões são normais, até pelo tamanho dessa crise. Seria pequeno da minha parte, achar que esse (briga com presidente) é um grande problema. Não vamos perder o foco, o foco é o coronavírus”, explicou Mandetta.

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Quando perguntado sobre a possível demissão do ministro da Saúde, Walter Braga Netto, chefe da Casa Civil, negou, mas fez uma ponderação. “Não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta. Vamos deixar claro, essa hipótese não existe. No momento”. Após a resposta, Mandetta retrucou. “Vamos lá, em política, quando um fala ‘não existe’, outro já diz ‘existe’.”

Mesmo com pouco tempo de fala durante a coletiva, Mandetta manteve sua postura anti-Bolsonaro, quando o assunto é o isolamento da população e afirmou que sua pasta mantém a orientação. “O Ministério da Saúde mantém seu posicionamento sempre científico e técnico.”

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Durante coletiva na última sexta-feira, Mandetta bateu de frente com Bolsonaro e alguns de seus principais apoiadores, os empresários. O ministro chegou a ironizar os protestos convocados para apoiar o presidente. “Daqui duas ou três semanas, os mesmos que fizeram uma carreata de apoio, serão os mesmos que estarão em casa.”

Números

Após a coletiva dos ministros, o Ministério da Saúde confirmou os dados sobre o coronavírus no país. De acordo com a pasta, são 4.579 casos de pessoas contaminadas pelo vírus e 159 mortes em decorrência da doença. Em 24 horas, foram 23 novos óbitos.

Em relação ao número de infectados, o Brasil teve uma alta de 8% em relação ao domingo (29), quando tinha 4.256 doentes. São Paulo segue puxando a fila dos infectados, com 1.517 infectados, seguido pelo Rio de Janeiro, com 657 casos e Ceará, com 372 pessoas que estão contraíram a covid-19.

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Ao todo, quinze estados da União já registraram ao menos um óbito e São Paulo também lidera no número de mortes (113), depois vem Rio de Janeiro (18), Pernambuco (5), Ceará (5), Piauí (3) e Rio Grande do Sul (3). Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Santa Catarina tiveram uma morte.

By Alice Pavanello

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