Um mês após ser submetida a cesariana de emergência em UTI do HC de SP, mãe com Covid-19 segue em estado grave


Paciente, de 28 anos, permanece em estado grave e com ventilação mecânica. Bebê, que nasceu prematura no dia 12 de abril, está em UTI neonatal e passa bem, segundo o hospital. Hospital das Clínicas faz cesariana de emergência em UTI de Covid-19
Divulgação/Hospital das Clínicas
Um mês após ser submetida a cesariana de emergência na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, na Zona Oeste, uma mulher de 28 anos, diagnosticada com coronavírus, segue em estado grave na UTI do hospital e com ventilação mecânica.
A bebê, uma menina que nasceu com 31 semanas, está na UTI neonatal do hospital e passa bem, segundo informou ao G1 a assessoria de imprensa do hospital.
A cesariana de emergência foi realizada dentro da UTI do HC no dia 12 de abril.
De acordo com o HC, a paciente chegou de outro hospital em um quadro gravíssimo e foi para a UTI destinada aos casos de Covid-19.
O caso foi citado pelo governador João Doria durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, dois dias após o parto. A equipe que realizou o parto também concedeu coletiva de imprensa no dia 14 de abril.
Na ocasião, a obstetra Renata Lopes disse que a paciente, ao chegar e ser monitorada, foi visto que o bebê tinha oscilações no coração e estava “em sofrimento fetal”.
“Essa mãe estava muito grave e não tínhamos condição de transferi-la para o centro obstétrico. Então, tomamos a decisão dramática de fazermos o parto na UTI e foi realizado com sucesso”, explicou a médica em coletiva de imprensa realizada dois dias após o parto.
A pediatra que acompanhou o parto, Glenda Beozzo, disse que foi montado um leito para o bebê ser recebido “no meio do corredor”, já que a transferência para o centro obstétrico apresentava riscos para a mãe e para o bebê. “A gente conseguiu formar um centro cirúrgico em menos de uma hora para conseguir trazer esse bebê”.
“Essa mãe foi um pingo de luz dentro da UTI, aquele lugar cheio de sombras, com um monte de velhinho entubado”, contou a pediatra.
Glenda também contou que uma senhora idosa que também estava na UTI, e consciente, passou a rezar quando viu que o parto estava sendo realizado. “Essa senhorinha passou a rezar compulsivamente, e esse bebê está bem, ele já respira sem a ajuda de aparelhos, é uma criança que vai ficar bem, é um pingo de luz aí nesse mar todo”.
Após o parto, foi feito o exame e o bebê não está com Covid. Os estudos sobre a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto, ainda são inconclusivos.
O coordenador da UTI onde a mãe está internada, Bruno Besen, disse, na ocasião, que o maior desafio é a saúde da mãe.
“Felizmente tudo está correndo bem com a criança e agora nosso desafio é cuidar da mãe, que nós ainda estamos precisando mantê-la respirando com ventilador mecânico e fazendo as medidas de suporte necessários para que ela sobreviva a essa condição”.
Estatísticas e estudos
Durante o mês de abril, 45 gestantes foram internadas com Covid-19 no Hospital das Clínicas e alguns casos foram para UTI.
Uma das mortes foi registrada no Hospital das Clínicas na última quinta-feira (7). Uma mulher de 35 anos, diagnosticada com coronavírus, morreu dias após o nascimento do filho.
O hospital desenvolve uma pesquisa para saber se as grávidas podem transmitir o vírus para o bebê. A coordenadora do estudo, Rossana Pulcinelli Vieira Francisco, defende que as gestantes devem compor o grupo de risco do novo coronavírus.
“Se a gente olhar o boletim do estado de SP, nós temos cinco mortes maternas. É uma situação extremamente triste”, afirma a médica, professora e coordenadora de obstetrícia do HC, Rossana Pulcinelli Vieira Francisco.
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By Negócio em Alta