
Presidente da Academia Brasileira de Letras afirmou que a morte do escritor ‘deixa um vazio enorme’. Para a escritora Cristina Aragão, ‘a gente perdeu mais um gigante’. Morre Sérgio Sant’Anna, um dos principais escritores brasileiros, aos 78 anos
Escritores lamentaram neste domingo (10) a morte do escritor Sérgio Sant’Anna, aos 78 anos. Ele estava internado em um hospital particular do Rio há uma semana, com sintomas da Covid-19.
“Sérgio deixa um vazio enorme”, afirmou o escritor Marco Lucchesi, que é presidente da Academia Brasileira de Letras em entrevista à GloboNews.
Lucchesi destacou que o escritor tinha “uma personalidade absolutamente fascinante” e que sua obra contribui para a compreensão da cultura brasileira.
“Eu acho que do Sérgio fica uma lembrança, sobretudo, constitutiva, de alguém que, pensando o Brasil, tentou compreender tudo aquilo que nos diz respeito e tudo aquilo que falta para que possamos completar a ideia de um país”, destacou o presidente da ABL.
O escritor Sérgio Sant’Anna durante debate promovido na Flip 2018
Walter Craveiro/Divulgação
O escritor Marcelo Moutinho, também em entrevista à GloboNews, enfatizou que Sant’Anna deixou “uma obra muito extensa, muito relevante” para além do conto, gênero que o consagrou.
“[Sérgio Sant’Anna] Trafegou também pela novela e pelo romance. Era um escritor que lidava muito com formas experimentais, mas que fez um registro também na sua obra ficcional de um Rio de Janeiro dos anos 50 e 60, mapeando muito bem essa época”
A escritora Cristina Aragão destacou que Sant’Anna se incomodava com o título de “mestre dos contos” que lhe é atrobuído.
“A gente fala muito que o Sérgio era um dos mestres dos contos – e sim, sem dúvida – mas ele estava muito implicado ultimamente com essa palavra conto e dizia que preferia a palavra narrativa”, disse.
Cristina Aragão lembrou que a morte de Sérgio Sant’Anna se soma a outras grandes perdas recentes da literatura brasileira.
“A gente perdeu mais um gigante. Isso é absolutamente seguro. Teve o Rubem Fonseca, [Luiz Alfredo] Garcia-Roza, e agora lá vai o nosso Sérgio.
O escritor Rubem Fonseca morreu no dia 15 de abril, aos 94 anos de idade, também no Rio de Janeiro, vítima de um infarto. No dia seguinte, também no Rio, foi anunciada a morte do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, aos 84 anos.
“É um momento muito difícil para a literatura brasileira, porque estamos vendo um desfile de mortes muito duras de fundadores da moderna literatura do nosso país”, enfatizou o escritor e presidente da ABL, Marco Lucchesi.
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