Quarentena do coronavírus afeta comerciantes e dificulta pagamento de aluguéis no Alto Tietê

Em alguns casos, donos de lojas estão entregando o ponto por não conseguir pagar o aluguel. Pontos comerciais alugados são entregues em Mogi das Cruzes com a pandemia do coronavírus
A quarentena de prevenção do coronavírus afetou muitos comerciantes da região do Alto Tietê. Em alguns casos, os donos de lojas estão entregando o ponto por não conseguir pagar o aluguel.
Em Suzano, uma bicicletaria teve queda de 70% no movimento. “Caiu muito mesmo o faturamento, nós ficamos assustados, mas depois as coisas começaram a entrar no eixo de novo, agora estamos vendendo 40% a mais, então estamos nos recuperando. Hoje eu vou ter que trabalhar mais, me esforçar mais e fazer um novo planejamento para poder sobreviver no mercado”, conta o comerciante Afonso José de Carvalho.
Yruena de Sousa Monteiro é proprietária de uma imobiliária em Mogi das Cruzes. Segundo ela, todos os dias são recebidos pedidos para prorrogar ou suspender o pagamento de aluguéis. “Dos contratos comercias que temos, podemos dizer que pelo menos 90% pediram a suspensão ou prorrogação do pagamento. Nos casos residenciais temos locatários que são autônomos ou dependem de alguma comissão, e que não estão tendo o dinheiro neste momento para efetuar os pagamentos”, conta Yruena.
Ainda de acordo com Yruena, a lei do inquilinato possibilita a renegociação do pagamento a qualquer momento em um acordo. “Tem casos que no período mais dolorido desta crise, os locadores ofereceram isenção do pagamento e o desconto foi de forma progressiva. Também teve locador que ofereceu para não pagar o aluguel e o locatário custeia o serviço da imobiliária. Já teve também locador que ofereceu desconto de 30%, 50% ou até 70%”, explica a proprietária.
Segundo José Augusto Viana Neto, presidente do Creci de São Paulo, durante este momento de pandemia, os problemas com locadores e locatários aumentaram e muitos estão oferecendo descontos, mas nem sempre é possível. “A maioria dos locadores de imóveis residenciais são idosos, têm um imóvel a mais para complementar a renda, então fica impossível fazer desconto ou não receber o valor do aluguel”, explica José Augusto.
Ainda de acordo com o presidente do Creci de São Paulo, há situações em que as pessoas tentam se aproveitar do momento. “Nós tivemos situações de funcionários públicos, bancários, que não tiveram o menor prejuízo e estão tentando conseguir desconto no pagamento de aluguel. É evidente que o comerciante que está impossibilitado de trabalhar vai precisar de uma renegociação. Todo corretor de imóveis ou imobiliária que estiver tendo problemas com os clientes, locadores e locatários, o Creci vai mediar essas situações”, explica o presidente.
As pessoas que tiverem problemas para renegociar, segundo o presidente do Creci de São Paulo, têm que procurar a imobiliária, mas aqueles que têm contrato direto com o proprietário, tem que procurar o Cejusc, no Tribunal da Justiça. Os corretores de imóveis podem solicitar à Junta de Conciliação do Creci uma reunião.
“Na sessão de conciliação será feita uma ata, que pode ser usada em uma demanda judicial. Mas acreditamos que quando chegar no Creci, dificilmente sairá sem um acordo”, explica José Augusto.
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By Negócio em Alta