Professora da UFJ coordena estudo internacional sobre Covid-19


Pesquisa estuda o comportamento e as condições de vida da população durante os períodos de distanciamento social para conter a disseminação do novo coronavírus. Professora da UFJ coordena estudo sobre a Covid-19 no Brasil
Arquivo pessoal/Edlaine Faria
A professora e epidemiologista Edlaine Faria de Moura Villela da Universidade Federal de Jataí, na região sudoeste de Goiás, está coordenando um estudo internacional sobre a Covid-19, no Brasil. A pesquisa estuda o comportamento e as condições de vida da população durante os períodos de distanciamento social para conter a disseminação do novo coronavírus. Os resultados são apresentados às autoridades da saúde quando solicitados.
O estudo é um consórcio internacional formado por 20 países que teve início no mês de março. O International Citizen Project Covid-19 (ICPCovid) é liderado pelo Professsor e Doutor Robert Colebunders, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica.
O estudo está indo para terceira fase que deve ter início no próximo dia 15 de maio e conta com a participação de voluntários. O questionário é simples e rápido, e apresentará novas questões muito importantes e todos podem participar. Para preencher o questionário, bem como ter acesso ao protocolo de pesquisa, basta acessar o site.
Resultados preliminares
A primeira fase da pesquisa obteve mais de 20.000 questionários respondidos online no início do mês de abril e traz uma perspectiva bastante interessante sobre o impacto do distanciamento social na vida dos brasileiros.
“Tivemos a participação de pessoas de todos os estados brasileiros, sendo que os quatro estados com maior participação foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. 54% dos participantes moram em área central da cidade, mas contamos com a participação de moradores de área rural também”, afirma a professora Edlaine.
Do total de entrevistados, a idade média dos participantes foi de 47 anos, sendo a maioria, mulheres (72%). Quanto ao nível educacional, 88% possui graduação. Com relação à atividade profissional, 70% dos participantes trabalham. Destes, 30% atuam no setor da saúde.
O estudo tem mostrado que o isolamento tem sido respeitado pela maioria, pois mais de 50% passaram a trabalhar em casa diante da pandemia, o que pode ter contribuído para atrasar o pico do número de casos no Brasil. No entanto, 42% ainda tiveram contato físico com pessoas fora da sua casa há mais de uma semana.
Em relação as medidas preventivas individuais, a professora mencionou a maioria dos participantes demonstraram aderir tais medidas de forma satisfatória. 92,6% mantem a regra social de ficar distante das outras pessoas. A maioria das pessoas cobre a boca e o nariz quando espirra e lava as mãos depois (69,5%). As medidas que chamaram atenção por terem pouca adesão foi o uso da máscara facial para sair de casa (45%) e a mensuração da temperatura corporal toda semana (11%).
As pessoas passaram a consumir alimentos mais saudáveis neste período (77,5%) e mais vitaminas e sais minerais (57,1%). Mesmo diante de maiores cuidados, 18% delas teve sintomas gripais entre fim de março e início de abril. 17,3% apontaram que alguém que mora com ele/ela teve sintomas gripais nos últimos 7 dias.
“Um resultado que chamou nossa atenção é que a maioria das pessoas não estão preocupadas com a sua própria saúde, mas demonstram grande preocupação com a saúde de seus familiares e amigos”, destacou a coordenadora da pesquisa.
Outro resultado que merece um olhar especial são os casos de violência dentro e fora de casa apontados no estudo. Também está sendo feito um estudo global sobre o impacto da pandemia no cotidiano de pessoas que vivem com HIV e de pessoas com epilepsia.
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By Negócio em Alta