Para manter as pessoas em casa, São Paulo retira das ruas metade da frota de veículos

Nesta segunda-feira (11), a lentidão no trânsito caiu bastante. Teve flagrante de uso de adesivo na placa para tentar burlar o rodízio. No 1º dia de rodízio mais rigoroso em SP, transporte público tem 11% a mais de passageiros
Começou nesta segunda (11), em São Paulo, um rodízio de veículos muito mais rigoroso. A Prefeitura quer tirar metade da frota das ruas.
Criado em 1997 para combater a poluição, e depois para aliviar o trânsito, o rodízio em São Paulo ficou mais radical, virou arma contra o coronavírus e parece que ajudou. Avenidas ficaram muito mais vazias que na semana passada, quando os índices de isolamento não chegaram a 50%.
Nesta segunda-feira (11), a lentidão no trânsito caiu bastante. Teve flagrante de uso de adesivo na placa para tentar burlar. Mas o respeito ao isolamento parece ter aumentado. Só deve circular quem trabalha em serviços essenciais e já tinha ou pediu isenção do rodízio por causa de tratamento de saúde, por exemplo. “Eu trabalho na área de saúde. Está tudo cadastrado certinho”, relata um motorista.
Com um reforço na frota, o transporte público registrou aumento de 11 a 15% no número de passageiros. Mas o governo do estado e a prefeitura querem ainda menos gente circulando nas ruas. Só depois que o índice de isolamento aumentar será possível voltar a falar em flexibilização.
“Se chegarmos a média de 55%, o governo do estado de SP, mantido o controle sob ofertas de leitos de UTI na rede pública e privada e havendo controle também na expansão Covid-19, nós poderemos, sim, pensar e atuar na flexibilização”, diz João Doria, governador de São Paulo.
Para tratar os doentes que ainda não param de chegar, um hospital começou a funcionar nesta segunda (11) só para tratar casos de Covid-19 na Vila Brasilândia. O bairro da Zona Norte de São Paulo é o que registra o maior número de mortos: 123.
O Itamar e a Lucilene moram lá. Ela estava de licença. Ele e é porteiro e estava trabalhando. Os dois pegaram a doença. “Eu internei no mesmo hospital e na mesma porta a gente não pode se ver. A gente só pode se ver no dia 30 dentro de casa”, conta Lucilene.
“A gente fica até com medo, dá muito medo principalmente quando escurecia. Sumia todo mundo do hospital assim, aí parecia um lugar deserto”, lembra Itamar.
Para evitar que casos da doença continuem se multiplicando, outra frente de batalha em São Paulo é a fiscalização do comércio: 350 estabelecimentos já foram interditados por descumprir a quarentena na capital.
A pandemia causou queda de 19% na arrecadação do ICMS de abril na comparação com o mesmo mês de 2019. Mas a morte de quase 3.800 pessoas no estado é a face mais cruel da doença e evitar a escalada da Covid-19 é a prioridade.

By Negócio em Alta