Pacientes com Covid sofrem peregrinação na ambulância atrás de leito de UTI no RN

A sobrecarga nas Unidades de Pronto Atendimento é um reflexo do aumento de casos de Covid-19 no Rio Grande do Norte. Nesta terça a fila por um leito de UTI tem mais de cem pessoas. Pacientes com Covid sofrem peregrinação na ambulância atrás de leito de UTI no RN
A Região Metropolitana de Natal vive o caos de ter todas as unidades de pronto atendimento lotadas.
Paula começou a passar mal nesta terça (2) pela manhã. “A ambulância do Samu está presa na minha porta desde às 11h20. Entrei em contato às nove da manhã, com minha avó de 97 anos, com prescrição pra internamento e sem leito na Grande Natal. Já tentamos e o Samu continua aqui sem poder fazer remoção da minha avó que te,m indicação e 42 graus de febre”, conta a neta.
Às 13h30, a ambulância chegou em uma UPA, mas Paula não foi recebida porque a unidade estava lotada. Depois, a equipe do Samu levou a paciente em outra UPA que também não tinha vaga. O jeito foi improvisar numa cadeira.
“Não tem lugar para levar paciente. Quando vai com meios próprios, eles atendem. Só que quando é com o Samu, eles dizem que não tem vaga, não tem médico, não tem ponto de O2. Então, se não tem hospital, por que tem Samu?”, questiona o motorista de ambulância, William Peixoto.
A sobrecarga nas Unidades de Pronto Atendimento é um reflexo do aumento de casos de Covid-19 no Rio Grande do Norte. Nesta terça-feira, a fila por um leito de UTI tem cem pessoas. A taxa de ocupação na capital está próxima do limite na rede pública e particular.
No interior, o cenário também preocupa. Ivoneide, de 49 anos, tinha diabetes e morreu segunda-feira no município de Macau, com sintomas de Covid-19. Segundo a família, o hospital não tinha nem remédio.
“Os médicos atendem as pessoas bem, mas não têm nada. Eles querem ajudar, mas não tem. Eu vi o caso dela, morrendo sem ter assistência”, desabafa o marido de Ivoneide, Antonio de Souza.
Nesta terça de manhã, nem médico tinha. “Se chegar alguém enfartado, algum caso grave, não tem como ser socorrido porque não tem médico”.
A prefeitura de Macau declarou que solucionou o problema da falta de remédios e que o hospital ficou três horas sem médico, porque muitos profissionais adoeceram e está difícil manter as escalas.

By Negócio em Alta