
Polícia Civil identificou responsáveis por arquitetar o golpe e emprestar contas para receber e distribuir o dinheiro. Vítima levou prejuízo de cerca de R$ 50 mil, segundo investigações. Carro roubado que foi adulterado e vendido por organização criminosa
Reprodução/Polícia Civil
A Polícia Civil finalizou a Operação Falsum nesta quarta-feira (6) com a prisão de cinco suspeitos de formar uma associação criminosa de roubo e receptação de veículos. Uma vítima procurou a corporação ao tentar vender o veículo que comprara dos investigados e descobrir que ele fora adulterado. Dando um carro e mais R$ 26 mil na compra, ele perdeu cerca de R$ 50 mil à época.
Segundo a denúncia da vítima, o crime aconteceu ao fim de 2018. A Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (Derfrva) apurou que ao menos seis pessoas teriam agido cumprindo ordens de um detento, preso há quatro anos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Marco Aurélio Euzébio, com exceção do suspeito de chefiar o golpe, que ainda não foi ouvido, os demais admitiram participações nos crimes, mas ainda não apresentaram advogados à Polícia Civil.
Os dois homens e uma mulher que estavam em liberdade foram presos na segunda-feira (4) em Goiânia e a última, uma senhora suspeita de emprestar sua conta bancária para o esquema, foi presa nesta terça-feira (5), em Rubiataba.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços nas mesmas cidades.
Esquema
A corporação apurou que o grupo roubou um veículo em Brasília, adulterou o chassi e conseguiu vendê-lo a um a vítima. Quando essa pessoa de boa-fé foi passar o carro para outra pessoa, a perícia detectou que ele fora adulterado.
“Eles usaram um papel verdadeiro de CRLV em branco, do estado de São Paulo, e preencheram com dados de uma identidade falsa. Dois deles foram com a vítima a um cartório no interior de Goiás e fizeram a transferência do veículo”, explicou o delegado.
Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores em operação em Goiás
Reprodução/Polícia Civil
As investigações apontaram que foi pedido à vítima que fizesse os pagamentos a duas contas diferentes. Segundo Marco Aurélio, dessas contas “emprestadas”, as titulares ainda diluíram o valor em várias transferências, para dificultar as investigações.
“Dois foram ao cartório com a vítima, uma mulher que emprestou a conta bancária e outra cuja participação ainda é apurada. Além desses envolvidos, a irmã do suspeito de ser o mandante dos crimes também teve a conta usada no crime e não foi presa, mas foram feitas buscas e apreensões na casa dela”, explicou o delegado.
Crimes
O delegado explicou que todos os presos devem responder pelo crime de associação criminosa. As demais acusações devem ser feitas de forma individualizada conforme a participação de cada um.
“As que emprestaram as contas bancarias para receber valores indevidos podem responder por receptação e até como lavagem de dinheiro. Os demais também podem ser denunciados por estelionato, roubo e uso de documento falso”, disse.
A Polícia Civil pediu o sequestro de valores das contas bancárias dos investigados para tentar ressarcir a vítima de alguma forma. Segundo o delegado, foi realizado o bloqueio, mas os bancos ainda não informaram se encontraram dinheiro nessas contas.
Documento falsificado do carro roubado
Reprodução/Polícia Civil
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