Palatnik tinha 92 anos e morreu de Covid-19 neste sábado (9), no Rio. Morre o artista plástico Abraham Palatnik, vítima do coronavírus
Também morreu neste sábado (9), no Rio, o artista plástico Abraham Palatnik, vítima de Covid-19. Palatnik tinha 92 anos e estava internado havia dez dias.
A paixão do artista era buscar um equilíbrio entre cores, formas e movimentos.
Criou objetos com figuras animadas por motores e engrenagens. No ateliê cheio de ferramentas, encontrava as soluções para executar as obras.
“De vez em quando eu preciso inventar um dispositivo pequeno. Eu tenho um torno pequeno, eu faço a peça”, disse Palatnik.
Habilidades de quem fez curso técnico de Física e de Mecânica.
Ele nasceu em Natal, em uma família de judeus russos. Estudou na cidade de Tel Aviv, hoje no estado de Israel, onde se especializou em motores de explosão.
A sensibilidade artística foi notada pelos pais, que começaram a vender suas obras quando ele tinha apenas 12 anos de idade.
Nas primeiras fases, as pinturas eram coloridas com figuras e paisagens.
“Esse por exemplo é auto-retrato, era pintura figurativa mesmo.“
Tudo começou a mudar no Rio de Janeiro, quando Palatnik fez parte do grupo Frente. Precursor do construtivismo nas artes plásticas, ao lado de Hélio Oiticica e Lygia Clark, entre outros.
Quando ele conheceu o trabalho da psiquiatra Nize da Silveira com os internos de um hospital no Rio, ele disse que ver as pinturas dos pacientes foi uma pancada que nunca tinha visto nada tão intenso e verdadeiro.
Surgiu então uma arte inovadora, com vida própria, capaz de hipnotizar o observador.
Ele criou o cinecromático, uma espécie de caixa com motores e cilindros que se movem e provocam efeitos de luzes coloridas.
Os críticos de arte não sabiam como classificar a obra, exposta na 1ª Bienal de São Paulo e também na Bienal de Veneza, onde encarou o gênio espanhol, Juan Miró.
A pesquisa continuou com objetos cinéticos e os quadros com efeitos óticos.
Um caminho pioneiro que abriu as portas dos principais museus e galerias do mundo.
Hoje, os objetos de Abraham Palatnik estão no acervo do MoMA, em Nova York, e nas principais coleções no Brasil.
O artista partiu na manhã deste sábado (9), aos 92 anos de idade, mais uma vítima da Covid-19. Ele deixa um acervo precioso, construído durante sete décadas e também muitos admiradores.
“Sem dúvida ele foi e sempre será uma fonte de inspiração para todos os artistas brasileiros. Que ele descanse em paz”, disse Fabio Szwarcwald, diretor-executivo do MAM/RJ .
“Tive o prazer de ser curador dele em 2015. Ele era uma pessoa adorável e grande artista”, contou Fernando Cocchiarale, curador do MAM/RJ.
“Sua trajetória é da tradição do artista de engenho, sua construção poética sem dúvida é um legado universal. Agradeço a sua influência em mim e sua generosidade”, disse o artista plástico Artur Lescher.
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