Médicos sem experiência na área reclamam serem obrigados a atender casos de covid-19 no Rio

Em Duque de Caxias, na Baixada, prefeitura estabeleceu portaria determinando que médicos de várias especialidades trabalhem no atendimento às vítimas do coronavírus. Na capital, ortopedistas dizem não ter experiência para o trabalho clínico. Médicos de várias especialidades estão sendo deslocados para atender pacientes de Covid-19
Médicos das mais diversas especialidades estão sendo deslocados para atender pacientes vítimas d a covid-19. Mas a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) e de experiência na área preocupam quem está indo par a linha de frente.
Os hospitais estão cada vez mais lotados e o número de médicos, técnicos e enfermeiros afastados por causa do novo coronavírus não para de crescer. Assim, a conta não fecha, já que faltam profissionais. Com isso, muitas cidades estão tentando aumentar o número de profissionais na linha de frente.
Técnica de enfermagem reclama falta de EPIs no hospital de referência para tratamento de covid-19 no Rio
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, uma portaria da prefeitura de duque de caxias determina que médicos de diversas especialidades podem ser remanejados para o atendimento durante a pandemia. A medida preocupa os profissionais, sobretudo diante da falta de EPIs.
“Uma covardia da prefeitura e da secretaria de saúde, recrutando pessoas, profissionais de saúde, agora no meio da pandemia, quando já está totalmente o hospital contaminado, e vários profissionais afastados, que não tiveram o EPI suficiente”, reclamou um profissional que não quis se identificar.
A falta de material de proteção preocupa ainda mais quem tem problemas de saúde.
“Vários profissionais com comorbidades, trabalhando próximo de seus 60 anos, que têm diabetes, têm asma, hipertensão, podem ter outras doenças que ninguém sabe, mas vão ser jogados exatamente na ratoeira do rato”, enfatizou o profissional.
Ortopedistas diante de síndrome respiratória
O improviso também virou rotina no hospital salgado filho, no Méier. Profissionais da ortopedia foram remanejados para atender pacientes com síndrome respiratória. Tem até escala. Por dia, pelo menos dois profissionais vão atuar numa nova função.
“A gente não tem médico em número suficiente para atender a demanda, porque este médico também está adoecendo e não está indo trabalhar. A diretora, numa tentativa de querer sanar esse problema, obrigou que os ortopedistas e os residentes atendessem a demanda clínica”, relatou um médico da unidade que também não quis se identificar.
“Isso tem causado uma preocupação muito grande porque os ortopedistas não têm a expertise para atender um paciente clínico, e a orientação dela seria que era só uma enganação, só pra fazer de conta que este paciente está sendo bem atendido”, enfatizou.
“Eles não estão capacitados para isso. Não é porque a gente está no meio de uma pandemia que a gente vai colocar qualquer profissional para fazer atendimento clínico. Apesar de não ser proibido, eles não têm a expertise para atender caso clínico”, reforçou.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio diz que médicos de todas as especialidades são formados e capacitados para atender pacientes e que o trabalho deles é fundamental nesse momento de pandemia.
Já a Prefeitura de Duque de Caxias diz que os profissionais de saúde com comorbidades podem solicitar afastamento do trabalho e negou a falta de material de proteção individual nas unidades de saúde da cidade.
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By Negócio em Alta