Médicos residentes estão sem receber pagamento há dois meses. 21 hospitais de SP registram relatos de atraso no pagamento de bolsa-salario de residentes
Médicos residentes de 21 hospitais da cidade de São Paulo afirmam que estão sem receber a bolsa-salário há dois meses. Os profissionais atuam na linha de frente no combate ao coronavírus e relatam falta de dinheiro para pagar o aluguel e outras contas.
A residência é uma espécie de pós-graduação em que os médicos já formados recebem uma bolsa de estudos para atuar em unidades de saúde e se especializarem em uma área.
Sofia Travieso é residente em nutrição no Hospital das Clínicas e saiu de São Carlos para começar a residência em março. Ela cuida dos pacientes graves da Covid-19 na UTI que só podem se alimentar por sonda. Segundo a residente, faz dois meses que ela não recebe a bolsa de R$ 3 mil.
“Eu me planejei para vir pra cá sabendo que eu ia ter essa bolsa de auxílio, para pagar todas as contas,. Eu resolvi morar em uma kitnet sozinha, fiz as contas e com o valor da bolsa eu conseguiria me virar tranquilo. Por sorte eu tenho familiares que tão conseguindo me ajudar, pelo menos eu pagar o aluguel e essas contas de casa nesse momento, mas eu tenho relato de outros colegas e amigos que tão sendo ameaçados de despejo.”
O Sindicato dos Médicos de São Paulo afirma que está colhendo as denúncias e organizando uma ação judicial. “São residentes que estão, inclusive, pensando em largar a residência. Aqui em São Paulo a gente tem muitos residentes que vêm do interior, vêm de outros estados e não estão conseguindo pagar as contas. Porque com 60h semanais dificilmente você consegue ter outra fonte de renda.”
A falta de pagamento também acontece em outras regiões do país. Um grupo de residentes protestou em Brasília por falta de pagamento da bolsa.
Em uma carta aberta, o Fórum Nacional de Residentes em Saúde responsabilizou as instituições pagadoras das bolsas, como o Ministério da Educação, Secretarias Estaduais de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde e o Ministério da Saúde.
A Defensoria Pública da União estabeleceu o prazo de até quinta-feira (14) para que o Ministério da Saúde explique o motivo dos atrasos e defina um prazo para o pagamento integral das bolsas. O Ministério afirmou que há inconsistências no cadastro de 1.300 residentes.
Lucas Uback é médico de família em uma Unidade Básica de Saúde de São Bernardo do Campo, ABC paulista, e afirma que não recebeu a bolsa do mês de abril mesmo após corrigir as informações de seu cadastro.
“Nós pessoalmente acionamos o Ministério da Saúde, levando os nossos dados pessoalmente, confirmando os dados via e-mail pelo menos umas três ou quatro vezes.”
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