Justiça do Amazonas decide decretar lockdown no estado

Nas últimas 24 horas, mais de 1.100 novos casos e 100 mortes foram registrados no estado. Justiça do Amazonas nega pedido de decretação de lockdown do MP do estado
População nas ruas, hospitais superlotados e sem equipamentos, sistema funerário em colapso com enterros coletivos em valas comuns, 1.134 casos confirmados e 102 mortes em 24 horas, um novo recorde. Este é o cenário da Covid-19 no Amazonas.
Por isso, o Ministério Público pediu à Justiça que seja decretado o chamado lockdown, um bloqueio de todas as atividades não essenciais, o que reduziria o número de pessoas nas ruas.
Antes de saber da decisão, o governador Wilson Lima disse que pretendia conversar com autoridades e com a prefeitura de Manaus para dividir as responsabilidades: “Eu defendo é uma modelagem nesse processo em que a gente aumente a rigidez com relação ao isolamento social. Mas tem alguns serviços que não podem parar, por exemplo supermercados, farmácias, a indústria, principalmente a indústria que trabalha com a fabricação de insumos e outros equipamentos que são fundamentais para o combate à Covid. Esses não podem parar”.
O Amazonas tem nesta quarta-feira (6) 9.243 casos confirmados e 751 mortes.
O Amazonas tem 84% dos leitos de UTI ocupados por pacientes com Covid-19 ou com suspeita da doença. Por causa da superlotação, hospitais e pronto-socorros continuam atendendo apenas pacientes considerados muito graves.
Bruna é médica e trabalha no 28 de Agosto, um dos três hospitais de apoio que atendem pacientes com Covid-19. Ela foi infectada, se recuperou e está de volta à linha de frente no combate à doença. Em dois anos de profissão, já sabe como é trabalhar em um hospital lotado e sem equipamentos.
“A gente tem muitos pacientes que estão muito graves, que são muito idosos, têm muitas doenças, que não são eletivos para ir para o respirador. A gente explica para a família logo no começo da consulta. Infelizmente, se tiver um paciente idoso, com múltiplas comorbidades, e um jovem, com mais prognóstico, a gente precisa guardar o respirador para o paciente que tem mais perspectiva de vida”, explica a médica.

By Negócio em Alta