Indústria da construção tem retração recorde com pandemia, aponta sondagem da CNI

Sondagem indica aumento brusco na ociosidade, queda do faturamento das empresas e tombo na intenção de investimento. O setor de construção foi fortemente afetado pela pandemia de coronavírus em março, com queda abrupta e recorde em indicadores como nível de atividade, confiança dos empresários e intenção de investimento, segundo sondagem divulgada nesta terça-feira (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O índice de evolução do nível de atividade ficou em 28,8 pontos em março, patamar mais baixo já registrado pela pesquisa. Esse indicador varia de 0 a 100, com linha divisória de 50 pontos, que separa crescimento e queda do nível de atividade. Valores abaixo de 50 pontos apontam retração da atividade.
“É o valor mais baixo da série histórica. Indica recuo de intensidade e disseminação jamais registrados na série mensal”, afirmou o economista da CNI Marcelo Azevedo.
Já o indicador de evolução do número de empregados registrou 39 pontos, 11 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos, indicando perda de postos de trabalho. “Não sabemos como vai ficar nos próximos meses, devido a forte contração da atividade e das expectativas”, avaliou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.
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Aumento do pessimismo
O índice de Confiança do Empresário da Construção registrou 34,8 pontos em abril, após cair 24,5 pontos, o maior recuo mensal da série. Com a queda, o indicador recuou para o menor valor da série desde outubro de 2015, quando registrou 34,4 pontos.
“A falta de confiança traduz o cenário atual de forte contração na atividade e elevada incerteza em razão da pandemia de Covid-19. Essa falta de confiança dos empresários vai contribuir para a paralisação dos investimentos, ou seja, para o agravamento da crise econômica”, avalia a CNI.
As expectativas para os próximos 6 meses também registraram as maiores quedas observadas na série histórica da pesquisa.
Os índices de expectativas do nível de atividade e de novos empreendimentos e serviços recuaram 27,4 e 26,6 pontos, respectivamente, em abril na comparação com março. Já os indicadores de expectativas de compras de insumos e matérias-primas e do número de empregados recuaram, 24,9 e 22,8 pontos, respectivamente, no mesmo período.
Queda do faturamento
A sondagem apontou também uma piora nas condições financeiras das empresas do setor depois de três altas consecutivas dos indicadores. Segundo CNI, a insatisfação com a situação financeira e a margem de lucro operacional retornou aos níveis registrados no início do ano passado.
O índice de satisfação com a situação financeira registrou 38,6 pontos, redução de 6,2 pontos frente ao quarto trimestre de 2019. Já o indicador de satisfação com a margem de lucro operacional registrou 34,1 pontos após queda de 5,8 pontos em relação ao quarto trimestre de 2019.
O acesso ao crédito também se tornou mais difícil, segundo as empresas do setor. O índice de facilidade de acesso ao crédito também recuou 5,4 pontos, de 37,6 pontos para 32,2 pontos.
O levantamento colheu informações com 411 empresas, sendo 143 pequeno porte, 181 médio porte e 87 de grande porte.

By Negócio em Alta