A taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 em Fortaleza é de 97%, somando a rede pública e particular. A capital do Ceará registrou a maior parte dos mais de 17.600 casos e mais de 1.100 mortes no estado. Hospitais públicos e privados do CE enfrentam dificuldade com aumento de casos de Covid-19
A situação também é crítica no Ceará.
Dona Maria Hilma, de 78 anos, está há cinco dias numa UPA de Fortaleza e, nesta segunda (11), precisou ser entubada porque o estado de saúde dela se agravou.
“Estou precisando de um leito de UTI e a gente mal tem resposta. Eu estou pedindo como mãe e filha. Pelo amor de Deus”, diz Célia Regina de Sousa, filha da dona Maria.
A taxa de ocupação dos leitos de UTI para Covid-19 em Fortaleza é de 97%, somando a rede pública e particular. A capital do Ceará registrou a maior parte dos mais de 17.600 casos e mais de 1.100 mortes no estado.
Em quatro dias de lockdown, a circulação de veículos em Fortaleza diminuiu 64%, segundo a Autarquia de Trânsito. Mas, as equipes de segurança pública tiveram que atender mais de 500 ocorrências: pessoas que abriram comércio não essencial, e, principalmente, se aglomeram na periferia da cidade.
Policiais e agentes de trânsito estão nos acessos às principais avenidas da cidade. Quem é parado, precisa comprovar que está indo comprar algo essencial, ou trabalha em uma atividade que não pode parar.
“Nas situações onde não há uma justificativa convincente, não há nada que possa colaborar com isso, ele é retido e ele é orientado a retornar ao veículo”, destaca André Luiz Barcelos, assistente técnico da Autarquia de Trânsito de Fortaleza.
Ana Cristina saiu de casa porque o irmão apresentou sintomas de Covid-19. Ele esperou por atendimento em um hospital lotado.
“Não tem leito, todo mundo é sentado em cadeiras. Pra fazer os exames, é sentado na cadeira normal, inclusive os idosos. E você ver um irmão seu pedindo socorro, dizendo que vai morrer e vir para o hospital e não ter o devido cuidado que ele deveria ali dentro, é horrível”, diz a auxiliar administrativa.
O Hospital do Coração declarou que o irmão da Ana Cristina está na emergência. Que todos passam por uma triagem e quem tem sintomas da Covid-19 é separado dos outros pacientes.
Sobre a dona Maria Hilma, que apareceu no começo da reportagem, a Secretaria de Saúde de Fortaleza disse que a transferência de pacientes pra um leito de UTI depende do quadro clínico. E que a internação é feita pela Central De Regulação de Leitos do município.
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