
Profissionais estão sem emprego na área desde o fim do programa ‘Mais Médicos’, mas não podem ser contratados sem a validação de diploma pelo Ministério da Saúde. Fora da área, médicos cubanos se prontificam para atuar no combate à Covid-19 em Macapá
Um grupo de 31 médicos cubanos que mora em Macapá está se colocando à disposição pra trabalhar na linha de frente do combate ao novo coronavírus, que já matou quase 70 pessoas e infectou outros 2,3 mil em todo o estado.
O entrave é que eles não podem ser contratados sem passar por um processo de revalidação do diploma que é feito pelo Ministério da Educação. Os profissionais eram do programa Mais Médicos do Governo Federal que existiu até 2018. Com o fim da iniciativa, eles acabaram ficando no Amapá.
“Estamos com maior disposição de estar na primeira linha do combate ao coronavírus. Hoje em dia somos 31 médicos que podem ajudar nesse momento em que tanto a sua população precisa”, disse o médico Armando Nunez.
O apelo dos cubanos para voltar à medicina acontece no período de pandemia, quando estado e prefeitura da capital encontram dificuldades para contratação de médicos, inclusive o Conselho Regional de Medicina fez apelo para que profissionais se prontifiquem.
Leitos abertos no Centro de Atendimento Clínico Covid-19, do governo estadual
Márcio Pinheiro/Secom
Seleção feita pela Secretaria de Saúde (Sesa), para atuação na linha de frente de combate à doença, teve preenchidas apenas 19 das 115 vagas ofertadas para médicos.
“Nós queremos ter essa oportunidade. Muitos [cubanos] com experiências em outros países, muitos com mais de 10 anos de experiência de trabalho. A maioria tem especialização em medicina da família feita nas universidades do Brasil”, relatou o médico Douglas Serrano.
Nas redes sociais, o prefeito de Macapá Clécio Luís também fez um apelo solicitando que médicos habilitados para atuarem, se prontifiquem para contratação visando os atendimentos.
“Estamos precisando de médicos na rede pública municipal, estou fazendo esse apelo. Porque toda a nossa estratégia está em diagnosticar precocemente o Covid, tratar precocemente os pacientes, para que eles não precisem de um um leito de UTI e muito menos que venham a perecer”, declarou o prefeito.
Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), 25 mil novos médicos vão se formar até dezembro no país, desse total, 10 mil deixarão as universidades até julho.
Ainda de acordo com a entidade, é preciso atrair esses profissionais para o estado por meio de concursos públicos. Existe uma expectativa de reincorporação dos médicos cubanos pelo Ministério da Saúde, mas por enquanto eles só podem trabalhar em serviços administrativos.
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