Governo exonera novo presidente do Banco do Nordeste um dia após a posse

Ligado ao Centrão, Alexandre Cabral é alvo de uma apuração do Tribunal de Contas da União por supostas irregularidades quando comandava a Casa da Moeda. Governo exonera novo presidente do Banco do Nordeste um dia após a posse
O governo exonerou o presidente do Banco do Nordeste, Alexandre Cabral, que tinha tomado posse na terça-feira (2). O nome ligado ao chamado “Centrão” era uma indicação do PL, com apoio do PTB. O TCU apura supostas irregularidades em contratos assinados no período em que Cabral comandava a Casa da Moeda.
A destituição se deu em menos de 24 horas depois da posse de Alexandre Cabral no BNB, o Banco do Nordeste. Reportagem do jornal o “Estado de S.Paulo”, confirmada pela TV Globo, apontou que Alexandre Cabral é suspeito de irregularidades em contratações feitas pela Casa da Moeda, que ele presidiu de 2016 a 2019.
O relatório de auditoria menciona que Alexandre Cabral teria praticado possível ato de gestão temerária. Segundo o TCU, ele assinou acordo para pagar serviço com possível sobrepreço, mesmo ciente de que os administradores eram réus por fraude a licitação.
Segundo o relatório, as irregularidades começaram em 2005 e se estenderam até 2019. Essa apuração de responsabilidades ainda não foi concluída, porque os suspeitos recorreram e o recurso ainda não foi analisado. O prejuízo, em valores não atualizados, pode passar de R$ 2 bilhões.
Alexandre Cabral foi indicado para a presidência do BNB pelo PL, com apoio do PTB, ambos do chamado “Centrão”, o grupo de partidos que tem votos para, por exemplo, garantir ou impedir a aprovação de projetos, como também, de um possível pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.
Mas o ministro da Secretaria de Governo, responsável pela articulação com o Congresso, nega que Alexandre Cabral tenha sido indicação política. Luiz Eduardo Ramos, que é general, se manifestou em carta aos colegas de farda sobre as negociações com o “Centrão”.
“A formação de uma base governamental é necessária para a aprovação dos inúmeros projetos clamados pela sociedade. Por mim não passa nada que não seja republicano, legal e ético. Nenhuma nomeação (sob minha responsabilidade) ocorre fora dos critérios técnicos (capacitação profissional) previstos em decreto presidencial e após intensa pesquisa da vida pregressa do indicado, sob aspectos morais, jurídicos e político-ideológicos”.
O Banco do Nordeste atua como banco de desenvolvimento da região. O banco é cobiçado pelos políticos porque é financiador de projetos que rendem votos.
Na nota que confirma a destituição de Alexandre Cabral, o banco informou que tomou conhecimento das notícias pela imprensa e que reitera seu compromisso de transparência.

By Negócio em Alta