Governo anuncia que vai estender por mais dois meses o pagamento do auxílio emergencial

Relatório do Tribunal de Conta da União encontrou indícios de irregularidade na concessão do benefício para seis milhões de pessoas. Governo anuncia que vai estender por mais dois meses o pagamento do auxílio emergencial
O presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite desta quinta-feira (4) que vai estender por mais dois meses o pagamento do auxílio emergencial. Um relatório do Tribunal de Conta da União encontrou indícios de irregularidade na concessão do benefício para seis milhões de pessoas.
A Benedita está desempregada, pediu o auxílio no início de maio e, até agora, não recebeu nenhuma resposta do governo. “Eu preciso desse auxílio porque, eu e meu filho, a gente não tem outra fonte de renda, somente essa. Então preciso dessa fonte de renda para a gente pagar o aluguel aqui do nosso barraco e a gente comprar coisa para comer”, afirma.
Segundo a Caixa, mais de 11 milhões de cadastrados não receberam nenhuma parcela do auxílio. Mais da metade ainda aguarda a primeira análise pela Dataprev. O calendário de pagamento da segunda parcela para quem ainda não recebeu deve ser divulgado na semana que vem, assim como a programação da terceira parcela do auxílio emergencial.
Um relatório do Tribunal de Contas da União aponta indícios de que cerca de seis milhões de pessoas podem estar recebendo o auxílio indevidamente, o que representa uma despesa indevida de R$ 3,6 bilhões por mês. O TCU vai continuar analisando e investigando esses casos, que serão tratados em um outro processo.
A auditoria mostra também que cerca de 2,7 milhões de pessoas não têm nenhum acesso à internet, seja por computador ou celular, o que, segundo o TCU, demonstra “risco de exclusão”, já que o cadastro só pode ser feito via internet.
A Dataprev já recebeu da Receita Federal uma nova base de dados com informações mais completas. O cruzamento desses dados poderá revelar pessoas que receberam o auxílio indevidamente. O Ministério da Cidadania informou que quem recebeu e não se enquadra nos critérios legais, será notificado a devolver o valor.
Enquanto isso, o governo estuda como prorrogar o auxílio. Na noite desta quinta-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro confirmou que vai pagar o auxílio por mais dois meses. Ele não disse o valor das novas parcelas, mas a TV Globo apurou que elas devem ser de R$ 300.
Na manhã desta quinta (4), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que o Congresso é a favor de prorrogar o pagamento. “Se dependesse dos parlamentares que estou ouvindo, teria mais duas ou três parcelas no valor de R$ 600. Mas tem um impacto. Ninguém está negando o impacto e também ninguém está negando, nem o governo, a necessidade de prorrogação do benefício. Se é um impacto grande, vamos tentar construir soluções dentro também do orçamento fiscal normal”, afirma.
O economista Alexandre Schwartsman defendeu a continuidade do programa enquanto a pandemia durar, mas disse que é preciso aperfeiçoá-lo, já que o país também enfrenta uma crise econômica.
“A verdade é que, enquanto a gente está passando por esse período particular de quarentena, dificuldade de obter emprego, boa parte da população que não tem acesso a qualquer rede de proteção social acaba obtendo o seu sustento através disso. Ocorre que não é um programa barato. Esse programa custa alguma coisa entre R$ 45, 50 bilhões por mês. Então é muito além do que o país consegue manter. Tem problemas também de cadastro, como a gente descobriu. É um bom programa, mas eu acredito que ele tem uma data marcada para acabar e deve ser gradualmente desmantelado à medida que a gente comece a ter sinais de um crescimento econômico mais sólido, geração de empregos em algum grau voltando”, avalia.

By Negócio em Alta