
Mães e filhos planejam formas de estarem juntos apesar da distância. Ações vão de chamadas de vídeo a carreata. Coronavírus e estudos separaram Rosefrance Ferreira e Rones Wayne Silva no Dia das Mães, mas tradição será mantida
Arquivo Pessoal
Celebrado em meio à pandemia de coronavírus, o Dia das Mães, em 2020 precisou ter homenagens e celebrações alteradas em muitas famílias. Em Uberlândia, mães, filhos e netos se prepararam para, de alguma maneira, manter tradições sem desrespeitar as regras de isolamento social.
Em entrevista ao G1, três famílias contaram o que foi planejado para a data. As ações vão de chamadas de vídeo a carreata.
Do Brasil à Argentina
O que fazer quando mãe e filho estão separados por, aproximadamente, 2.400 quilômetros? A resposta é fácil para a servidora pública aposentada, Rosefrance Ferreira Silva, que mora em Uberlândia: dividir o momento com o filho, Rones Wayne Silva, de 25 anos, que reside em Buenos Aires, através de chamada de vídeo.
“É a primeira vez que passo o dia das Mães longe dele, e está sendo complicado saber que ele estará ausente, que não poderemos nos abraçar. No entanto, apesar da distância, é sempre bom saber que o amor não tem barreira”, afirmou a aposentada.
Morando na capital argentina há 10 meses, Rones cursa medicina e está sozinho, em isolamento no apartamento que divide com duas amigas, que permaneceram no Brasil. Ele só pode sair de casa para ir ao supermercado, farmácia ou hospital.
“Como o coronavírus está no mundo inteiro, nós ficamos com medo de estar em qualquer lugar. Tanto que ele optou por ficar lá, por que continua tendo aulas online. Sem contar o risco que seria para ele vir, me deixando ainda mais preocupada”, acrescentou Rosefrance.
A tradição é fazer um almoço para toda a família na casa de algum parente, mas devido à pandemia e a distância, o plano para este ano foi alterado. A expectativa da aposentada é que o filho mate um pouco da saudade de casa.
“Esse ano, o almoço será aqui em casa, e faremos uma chamada de vídeo para ele poder sentir um pouco do clima e matar um pouco da saudade dos pais e da irmã”, completou.
Tradição quebrada por segurança
O almoço de Dia das Mães também é tradição na família do técnico de planejamento de sistema elétrico, Diego Rafael Servulo. Ele mora em Uberlândia, e a mãe, a supervisora de confecção, Lucia Maria Servulo, mora em Araxá.
“Normalmente, reunimos apenas meus pais, meu irmão, minha namorada e eu. Apesar da tradição, não pretendo ir para lá por causa do coronavírus”, explicou Diego.
Para não quebrar totalmente a tradição, o técnico de planejamento disse que fará um chamada de vídeo a mãe, e espera poder encontrar a família para um almoço especial em breve.
“Ela entende que é o necessário no momento, mas não deixa de sentir falta. É a primeira vez, desde que me mudei para Uberlândia há 14 anos, que ficamos mais de um mês sem estarmos todos juntos”, disse.
Dia da ‘Bita’
Já a família Dantas preparou surpresas para a matriarca, Maria Ercidole Dantas de Medeiros, carinhosamente chamada de Bita, de 86 anos. Devido aos riscos de contaminação pelo coronavírus, a tradicional reunião dos familiares passou por alterações, mas não deixará de ocorrer.
“Minha mãe e minhas tias tem um grupo no WhatsApp. Uma das minhas tias deu a ideia de fazermos uma faixa, para colocar na porta da casa da minha avó pela manhã. A tarde faremos uma carreata, acompanhada de lanche, mas todo mundo dentro dos carros e a Bita na garagem da casa dela. Eu também preparei um quadro com a árvore genealógica da família para entregar a ela”, explicou a jornalista Raíssa Dantas.
Preocupação
Ainda segundo a jornalista, a avó está acostumada com o grande movimento dos familiares em casa, e apesar de não morar sozinha, as restrições causadas pela Covid-19 deixam a idosa pensativa.
“Ela é bem calada, não fala abertamente, mas quando comentamos ela fica pensativa. É perceptível a falta que ela sente, pois foi uma mudança brusca”, acrescentou Raíssa.
Para superar o isolamento social, familiares incentivam dona Maria Ercidole a cozinhar os pratos que só ela sabe fazer
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E para manter o sentimento de proximidade, parentes próximos, e até distantes, ligam constantemente para matriarca. Os filhos e netos que moram em Uberlândia vão até a casa dona Maria, algumas vezes por semana, para que ela possa interagir, mesmo que a distância, com os familiares.
“Minhas tias e primas que moram com ela a incentivam a tomar sol diariamente e fazer exercícios respiratórios. Mandamos comida diferentes, e também estamos incentivando a produção de vídeos dela preparando pratos que só ela conhece. Ela também faz palavras cruzadas e lê diariamente”, completou a neta.
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