
Pesquisa estatística coletou amostras de moradores de todas as regiões da cidade entre os dias 1º e 3 maio. Maior incidência da doença ocorre entre jovens adultos e em todas as áreas do município, informaram os pesquisadores. O resultado da pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas (HC) da USP e a Secretaria Municipal de Saúde apontou que 1,2% da população teve contato com o novo coronavírus em Ribeirão Preto (SP), o que representa 8.305 pessoas. A apresentação da pesquisa foi na tarde desta quarta-feira (6).
De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Fernando Bellisimo, do total de testes SWAB, ou seja, feito com amostras de nasofaringe, apenas um deles deu resultado positivo para a Covid-19. Bellissimo explica que a infecção ainda estava ativa na pessoa examinada. Das amostras de sangue analisadas, 10 delas tinham anticorpos contra o coronavírus. Segundo o pesquisador, essas pessoas já tiveram contato com o vírus.
O estudo pioneiro coletou amostras de sangue e nasofaringe de 709 moradores das diferentes regiões da cidade, entre os dias 1º e 3 de maio. O objetivo é mapear a incidência do vírus para montar um “inquérito epidemiológico”, que leva em consideração sexo, idade, além do local da residência. Os dados levantados serão importantes para nortear ações em relação à saúde e à economia no município.
Amostras colhidas de moradores são analisadas pelo HC de Ribeirão Preto (SP) para mapear evolução do coronavírus
Fábio Júnior/EPTV
Bellissimo explicou ainda que o mapeamento apontou que a doença foi registrada de forma homogênea por toda a cidade e se concentra em jovens adultos, população que está se expondo mais ao vírus durante o período de isolamento.
“De maneira geral, nossos números confirmam o que a gente imaginava. Que a circulação da Covid-19 ainda é muito restrita no município. Isso está provavelmente relacionado às medidas preventivas tomadas até agora. Ribeirão pode ser considerado, nesse momento, modelo de controle da pandemia”, disse.
O pesquisador considera os dados positivos, mas afirma que são também preocupantes, uma vez que um percentual pequeno da população tenha imunidade contra a doença. Bellissimo afirma que as próximas medidas precisarão ser dosadas para evitar um colapso no sistema de saúde.
“Significa que temos uma população ainda suscetível ao vírus. É positivo, mas preocupante pelo desafio que temos para manter esse controle sem expor a população ao risco de uma pandemia fora de controle, como a gente tem visto região metropolitana de São Paulo e demais regiões do país”, explica.
De acordo com o secretário municipal da Saúde de Ribeirão Preto, Sandro Scarpelini, todos os voluntários já receberam os resultados dos exames e passam bem. A equipe de vigilância epidemiológica visitou novamente a casa da pessoa com a infecção ativa e expandiu a análise para aos familiares. Disse ainda que a vigilância manterá o acompanhamento dos voluntários e dos familiares ao longo das próximas semanas.
Especialistas apresentaram resultado da pesquisa sobre coronavírus em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
Pesquisa
O estudo realizado foi levantado entre os dias 1º e 3 de maio, feriado prolongado do Dia do Trabalhador, nas cinco regiões da cidade de Ribeirão Preto. As residências foram sorteadas e apenas uma pessoa de cada casa participou, voluntariamente, da pesquisa.
Os voluntários responderam um questionário sobre características socioeconômica geral e se sentiram algum sintoma da doença. Foram colhidas amostras de nasofaringe e de sangue para detectar a presença de anticorpos contra o coronavírus, o que seria um indicativo de infecção recente.
“O que a gente fez foi muito parecido com o que se faz em pesquisas de opinião. Sortear uma amostra que representasse a cidade. Conseguimos uma amostra que incluísse pessoas de ambos os sexos, diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade, socioeconômico, espalhadas nas cinco regiões e assim os dados podem ser extrapolados para a população de Ribeirão como um todo”, explicou Bellissimo.
Profissionais da saúde coletaram amostras para testes do novo coronavírus em Ribeirão Preto (SP)
Valdinei Malaguti/EPTV
O estudo é considerado pioneiro no Brasil pelos pesquisadores, porque faz também a coleta da amostra de nasofaringe, para demonstrar se há vírus ativo no organismo da pessoa pesquisada. A ideia dos pesquisadores é retornar às residências, entre quatro e seis semanas, para repetir as análises com amostras de sangue.
“Assim poderemos ver se essa reta é ascendente, descente ou estável. Vamos poder ver o comportamento da pandemia nas próximas semanas e meses. E, eventualmente, avaliar o impacto de medidas que sejam tomadas pela prefeitura nesse período. Se optar por relaxamento, vamos mensurar o impacto disso nesse próximo inquérito”.
Flexibilização do comércio
Segundo os especialistas, embora os resultados sejam positivos, mas também demonstram que as medidas de flexibilização do comércio precisam ser ajustadas com precisão para evitar um colapso no sistema de saúde.
“Esse resultado da tranquilidade de que as medidas funcionaram, mas ao mesmo tempo a gente não pode abrir muita coisa. De alguma maneira, precisamos ir aos poucos ‘vacinando’ a população sem sobrecarregar o sistema assistencial. É um ajuste muito delicado que teremos que pensar. Não esperem abertura de eventos, escolas, cinema, nada que concentre gente”, explica Sandro Scarpelini.
Entrevista coletiva comentou resultados da pesquisa realizada pela USP de Ribeirão Preto (SP) sobre o coronavírus
Reprodução/EPTV
Ainda segundo o secretário da Saúde, o diálogo entre o comitê técnico de combate ao coronavírus e o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) é constante e que o resultado será discutido juntamente com o comitê econômico da prefeitura. Segundo o secretário, o ideal seria que a reabertura fosse gradual, com 14 dias de diferença entre uma medida de outra.
“Seria para observar os impactos dessa epidemiologia nesse período. Hoje temos uma condição muito melhor pra avaliar e tomar decisões. Precisam entender que as medidas de distanciamento não se estinguem na medida em que você abre qualquer coisa no comércio. Em qualquer nível, as pessoas precisam ser cuidadosas, porque não sabemos o que pode acontecer com as pessoas contaminadas, se evoluem ou se curam”, diz.
Leitos disponíveis
De acordo com o secretário da Saúde de Ribeirão Preto, a cidade conseguiu um achatamento significativo da curva de contaminação do coronavírus nos últimos dois meses. Scarpelini explicou que esse período foi imprescindível para organização dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais e a orientação do sistema público de saúde.
Nesta quarta-feira, a taxa de ocupação de leitos de UTI em hospitais da cidade é de 40%. Os leitos de enfermaria 18,2% estão em uso por pacientes com Covid-19.
“Conseguimos exames suficientes para testagem e velocidade, organizamos o sistema e agora podemos avançar um pouquinho, mas com cuidado. Essa conquista é de todos os cidadãos da nossa cidade”, disse.
Polo de Covid-19 passa a atender pacientes com sintomas em Ribeirão Preto
Alexandre de Azevedo
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