Estudantes do AP isoladas na Bolívia dão ‘volta para casa’ de presente para as mães


Ana Paula Martins e Taína Santos vão passar o domingo (10) junto com as mães após medo e incerteza no país vizinho devido à pandemia do novo coronavírus. Josenice Costa e Taína Santos (à esquerda); Analiezia Martins e Ana Paula Martins (à direita)
Arquivo Pessoal
O presente de Dia das Mães, celebrado no domingo (10), para Analiezia Martins, de 45 anos, e Josenice Costa, de 49 anos, não virá numa caixa ou enrolado num laço. Em tempos de pandemia, a alegria das duas vai ser ter as filhas Ana Paula Martins e Taína Santos, respectivamente, ao lado delas durante a data.
Estudantes de medicina na Bolívia, as duas macapaenses passaram cerca de 1 mês isoladas na cidade de Cochabamba, onde estudam. Com o distanciamento social no país vizinho e o fechamento da fronteira, as jovens permaneceram isoladas no local e cheias de incertezas.
Devido a todo esse tempo cercadas pelo medo, mães e filhas revelam que será um Dia das Mães para se valorizar o contato familiar, respeitando as regras dos órgãos de saúde.
A quarentena na Bolívia ficou mais severa durante a 3ª semana de março. Sem ter como permanecer no país com as aulas suspeitas, elas só conseguiram deixar o país em 19 de abril em função do cancelamento de viagens internacionais.
Ana Paula, de 20 anos, que mora desde janeiro na Bolívia, relatou que o desgaste mental foi o problema que mais a impactou no período.
“A princípio eram só 15 dias. Porém, quando começou a quarentena total as coisas começaram a apertar mais. Quando teve todo o problema das viagens entrei em desespero. Era uma aflição, muito perturbador ver o desespero da minhã mãe, cheguei a ter crises de ansiedades”, revelou.
Ana Paula Martins com a mãe Analiezia Martins
Analiezia Martins/Arquivo Pessoal
Na chegada em Macapá, no dia 23 de abril, depois de 4 dias de viagem de ônibus e avião, a mãe Analiezia conta que se emocionou ao ver a filha de perto e não poder abraçá-la por conta das medidas de proteção. Desde então, a jovem teve que ficar 14 dias isolada dentro de casa.
“Quando ela chegou foi muito difícil… porque tu não poder abraçar teu filho é muito complicado. Tive que primeiro fazer toda uma esterilização, e ela doida para meu abraçar e eu não podia abraçar ela. Nesse momento foi muito difícil”, lembrou a mãe, emocionada.
Taína Santos, de 18 anos, também estava desde o início do ano em Cochabamba e passou cerca de um mês em isolamento na cidade. Ela também chegou em Macapá em 23 de abril e iniciou os 14 dias dentro do quarto distante da família.
Josenice Costa junto com a filha em show na orla de Macapá
Taína Santos/Arquivo pessoal
Apenas na quarta-feira (7), ela abraçou e beijou a mãe Josenice. No domingo, a estudante espera retribuir com um café da manhã e almoço em família todo o cuidado que a mãe teve durante os 14 dias, preparando a alimentação da filha em isolamento.
“Família sempre é um porto seguro. Se tivesse lá com certeza passaria com muita saudade dos meus pais e da minhã mãe principalmente. Mas consegui voltar, e passar esse dia com ela é gratificante. Ela é tudo pra mim, a minha rainha”, declarou.
Josenice Costa com a filha Taína Santos
Taína Santos/Arquivo Pessoal
A mãe Josenice Costa também relata os momentos de preocupação ao lembrar que a filha, que sofre com asma, estava em outro país em meio a uma pandemia. A sensação para o domingo das mães é de alívio e felicidade.
“Estou feliz da vida. O meu coração está aliviado de estar perto dela, mesmo com toda essa pandemia que está acontecendo, mas só de ter ela perto de mim para eu poder proteger já é o meu presente”, afirmou.
Ana Paula e Analiezia também pretendem comemorar o Dia das Mães com café da manhã e almoço. O que fica para as duas famílias é a alegria em valorizar coisas simples, como ter as pessoas que amam por perto.
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By Negócio em Alta