Elas são importantes aliadas na prevenção do coronavírus, mas quem usa máscaras do tipo descartável, precisa tomar uma série de cuidados antes de jogá-las no lixo. Especialistas alertam para os cuidados na hora de descartar as máscaras de proteção
As máscaras que milhões de brasileiros passaram a usar para se proteger do coronavírus podem acabar se tornando uma fonte de contágio se não forem descartadas do jeito certo. E esse perigo pode ser visto em todo o Brasil.
Um passageiro gravou um flagrante em um ônibus da capital mineira. Primeiro, duas máscaras jogadas no chão. No banco de trás, mais uma. O descuido com as máscaras se repete em outras cidades brasileiras.
A professora Débora Simão Queiroz mora em uma rua onde, na tarde desta sexta-feira (8), havia três no chão. “Isso é constante aqui. Não só aqui; nesse entorno da praça, como nas portas dos bancos aqui na região. Isso é muito perigoso”, contou.
O descarte inadequado das máscaras coloca em risco a saúde das pessoas que podem ter contato com elas. Os garis, por exemplo, estão na linha de frente na limpeza das cidades e precisam recolher as máscaras nas ruas. Mesmo usando equipamentos de proteção individual, eles podem ser infectados pelo novo coronavírus durante o trabalho.
“Ah, é máscara suja, máscara solta. Todo tipo de máscara, a gente está encontrando. Máscara com sangue. Tudo que você imaginar, a gente está encontrando”, disse o gari Alan Igor Miranda.
O Departamento de Limpeza Urbana de Belo Horizonte orienta os coletores a não tocar nas máscaras. “Utilizando a pá, colocando dentro do carrinho que eles utilizam, embalando junto aos sacos de lixo e colocando no confinamento adequado”, explica Helbert Fernandes, supervisor de Limpeza Urbana de Belo Horizonte.
Os especialistas recomendam que a máscara descartável usada deve ser colocada dentro de dois sacos plásticos antes de jogar no lixo. É importante escrever “máscara usada”. Também é seguro colocar em uma garrafa de plástico vazia. Lembrando sempre de lavar as mãos com água e sabão. Se não for possível, usar álcool em gel antes e depois do descarte.
“Uma máscara que foi usada por uma pessoa infectada, com ou sem sintomas, ela vai conter saliva, secreção do paciente, daquele indivíduo. E nessa secreção, nós podemos ter a produção de partículas virais, de vírus. Se essa máscara não for descartada corretamente, ela pode entrar em contato com superfícies e pessoas podem entrar em contato com essa máscara. Ou pegar, reutilizar, ou pegar para descartar corretamente, e, nesse momento, essa máscara pode ser uma fonte de infecção para a pessoa que está entrando em contato com a máscara infectada”, explicou Jordana Coelho dos Reis, pesquisadora em virologia da UFMG.
Os garis, que não pararam de trabalhar um dia sequer para manter as ruas limpas durante a pandemia, pedem mais colaboração. “É o risco que a gente passa aí, todos os dias, no dia a dia. É perigoso. As pessoas têm que se conscientizar”, diz o gari Alan.
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