
Neuziane Costa Tolosa morreu aos 40 anos no processo de intubação no pronto-socorro de Macapá, na quarta-feira (6). Primeiro Dia das Mães sem ela será doloroso, completou o filho. Neuziane Costa Tolosa e o filho, Carlos Tolosa; ela morreu com Covid-19, em Macapá
Carlos Tolosa/Arquivo Pessoal
O Dia das Mães de 2020 é diferente para muitos filhos. Em meio à pandemia do novo coronavírus tem aqueles que, para proteger a saúde da própria mãe, teve que optar em passar este domingo (10) distante dela. Em outros milhares de casos, os filhos ficaram somente com a lembrança do cheiro dos cabelos, do formato das mãos, do carinho, das broncas e principalmente dos ensinamentos.
É o caso do estudante Carlos Eduardo Tolosa, de 21 anos, de Macapá. É o primeiro Dia das Mães sem a presença de Neuziane Costa Tolosa, de 40 anos – completados há exatamente uma semana. Ela morreu com a Covid-19 na quarta-feira (6).
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Tolosa ainda vive um luto pela mãe que sempre foi um exemplo para a família. Ele conta que aproveitou o tempo para repensar na vida e agora tem certeza da importância de agradecer pela maternidade.
“Hoje tem pessoas que estão afastadas de suas mães, que não vão poder dar um abraço. Outros filhos que as mães estão numa UTI [Unidade de Tratamento Intensivo], ou em um leito precário. Desejo que os filhos demonstrem sempre o amor. Nem só com as palavras ‘eu te amo’, mas com atitudes, com aquela preocupação, com um carinho”, disse.
Segundo o estudante, Neuziane morreu no processo de intubação em uma UTI improvisada para pacientes com a Covid-19 no Hospital de Emergência (HE) de Macapá. Ela começou a sentir os primeiros sintomas da doença uma semana antes, que se intensificaram no fim de semana.
Neuziane Costa Tolosa, que morreu com Covid-19, em Macapá
Carlos Tolosa/Arquivo Pessoal
Nas palavras do filho, ela sempre foi uma pessoa solidária, até mesmo nos últimos dias de vida.
“Ela me ensinou a ser sempre solidário, no anonimato mesmo, não ser egoísta, sempre falar a verdade, ser obediente, uma pessoa de fé. Esse é o legado dela. Até quando ela estava internada no HE queria também ajudar os outros pacientes. A gente sempre partilhava gel de massagem, remédio”, recordou o estudante.
O filho lembra que a mãe morreu após realizar os sonhos da casa própria para ela e a mãe, e que ele e o irmão, de 17 anos, ficaram “devendo” a ela uma neta, outro sonho de Neuziane.
Foto mostra Neuziane Costa Tolosa em vida, cercada pelos dois filhos e o marido
Carlos Tolosa/Arquivo Pessoal
Tolosa achava que a mãe conseguiria se recuperar da doença porque não tinha comorbidades. No entanto, ele acredita que a demora na transferência dela para uma UTI pode ter piorado o estado de saúde.
“Minha mãe tinha chances de viver. A saturação estava boa, a pressão também. Ela não tinha problemas de saúde, não era diabética, hipertensa, não bebia, não fumava, não se estressava. Mas ela ficou muito tempo sem receber os cuidados necessários. Outros que também estavam lá acabaram tendo o mesmo destino, o falecimento”, citou.
Neuziane morreu em uma semana em que os atendimentos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Macapá, os centros exclusivos para a Covid-19 e até mesmo os hospitais da rede particular atuaram no limite.
É um Dia das Mães diferente, uma oportunidade de se reinventar e ser grato por todas as experiências boas que a maternidade proporciona.
“Bate aquele desespero de perder a mãe tão rápido. Ninguém estava preparado. Foi um ‘balde de água fria’ ela não ter tido um leito digno para que pudesse ficar. É uma tortura enorme. Foi uma perda grande. Ela era a administradora de casa. Vai ser um dia das mães doloroso, mas a gente vai tentar se reinventar agora, preservar a memória dela que era alguém com muita alegria, solidariedade”, conclui o estudante.
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