Debates políticos, denúncias, casos marcantes e de pessoas que deram a volta por cima: a história da TV Diário se mistura a do Alto Tietê há 20 anos


Denúncias dos prefeitos de Ferraz de Vasconcelos, caso dos “skinheads”, cobertura das eleições e vítimas de crimes que deram a volta por cima fazem parte dos diversos fatos das duas décadas da TV Diário. Reportagens investigativas são um dos marcos dos 20 anos da TV Diário
A TV Diário completa 20 anos neste 1º de maio e a história da emissora ajuda a contar também a do Alto Tietê, por meio das coberturas das eleições, denúncias, casos policiais e até mexeram com a imaginação da sociedade.
Logo no primeiro ano da emissora, ainda sem uma grande estrutura, a TV encarou o desafio de mediar um debate ao vivo com os candidatos à Prefeitura de Mogi das Cruzes. Elas exigiram semanas de planejamento e realizou no auditório de uma universidade, em outubro de 2000.
“Esse foi o nosso maior desafio de abertura, fazer o debate sem dúvida nenhuma, e com a estrutura que a gente tinha”, relembra Marilucy Cardoso, ex-apresentadora da TV Diário.
Primeiro debate da TV Diário foi realizado ainda no primeiro ano da emissora.
Reprodução/TV Diário
Nas duas décadas, a TV Diário acompanhou o voto do eleitor do Alto Tietê, que definiu o destino das cidades, estado, e do país para os próximos quatro anos.
Mas nem tudo foi festa no mundo político. O Diário TV mostrou denúncias de crimes de corrupção que condenaram, e levaram ex-prefeitos de Ferraz de Vasconcelos para a cadeia.
Em agosto de 2018, o Brasil viu estarrecido um prefeito distribuir maços de dinheiro para vereadores, em Biritiba Mirim.
A revolta veio depois da divulgação de um vídeo de autoria desconhecida feito em janeiro. Em um certo momento o prefeito se levanta, pega uma sacola de papel e começa a distribuir maços de dinheiro.
Prefeito de Biritiba é investigado pelo MP
Reprodução/TV Diário
Foram muitas as denúncias apresentadas nos telejornais da TV Diário, e que ganharam a atenção nacional nos últimos vinte anos.
Mas o combate ao crime, e a busca pela justiça muitas vezes vem depois de casos policiais que marcaram pela violência. Várias ocorrências envolveram jovens e crianças nos últimos anos.
Em dezembro de 2003, a estação Brás Cubas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em Mogi das Cruzes, ficou conhecida em todo o país por ter sido o cenário de um ato bárbaro que não apenas chocou pela violência, mas também pelo motivo do crime.
Era noite quando um grupo de garotos vestidos como skinheads entrou no vagão. De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, os três acusados armados com uma machadinha agrediram dois jovens que vestiam roupas com nomes de bandas de rock, e com medo de serem mortos, as vítimas pularam do trem ainda em movimento.
Cleiton da Silva Leite, de 20 anos, gravemente ferido não resistiu, e Flávio Cordeiro, na época com 16 anos, perdeu o braço direito.
Flávio Cordeiro, de Mogi das Cruzes, perdeu o braço após um ataque skinhead
Jamile Santana/G1
“Foi muito difícil fazer aquela reportagem, lembro que quando a notícia chegou à redação, eu estava lá. Dois meninos se jogaram do trem, as coisas foram mudando ao longo do dia, as informações foram sendo apuradas. Eu passava dias na delegacia, foi um momento muito delicado para aquelas famílias também”, conta Marilucy Cardoso.
Os três acusados foram condenados, dois estão presos, e um entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal, e até hoje ele aguarda em liberdade a decisão final.
“A mídia teve um papel fundamental sim porque a justiça de uma certa forma, se está na TV, está com visibilidade, está em mídia, acaba acelerando né, porque a sociedade pede justiça”, conta Flavio Cordeiro, uma das vítimas.
Flávio seguiu adiante. Não deixou a limitação ser um obstáculo nos objetivos, e há três anos ele abriu uma barbearia em Brás Cubas.
O espírito empreendedor deu fôlego para Flávio inaugurar mais uma filial, desta vez no centro de Mogi, com uma decoração retrô e profissionais com muito estilo. Agora os planos do Flávio são outros. Depois de se casar, ele quer ter um filho e uma filha.
No primeiro dia de 2014, uma câmera registrou o momento em que a motorista de um carro faz uma manobra. Enquanto isso, as seis crianças brincam em uma calçada. De repente, o carro desgovernado atinge o grupo.
Uma vítima chegou a ficar prensada entre o carro e o portão da casa, era Vitória Carolina Ferreira, na época com 15 anos de idade, ela teve o estômago, o pulmão, e o baço perfurados, seis paradas cardíacas, e fraturas múltiplas nas pernas. Na delegacia, a mulher confessou ter consumido bebida alcoólica.
A motorista, de 38 anos, pagou fiança e foi liberada. A outra vítima grave era Samira Cristina Sales, hoje com 17 anos, ficou oito meses internada na Santa Casa em São Paulo, e agora anda com ajuda de uma muleta.
“Não conseguia fazer nada, estava me sentindo uma inválida ali, só dependendo dos outros, mas graças a Deus, depois de muito tratamento, ali, os médicos maravilhosos que me ajudaram muito, eu estou bem melhor hoje”, conta Samira.
As duas deram entrevistas à TV Diário pouco antes da quarentena do novo coronavírus.
Elas ainda sentem algumas dores, e devem passar por novas cirurgias, mas nada cura a mágoa pela motorista embriagada não ter prestado nenhuma assistência.
“Eu acho péssimo da relação dela, né? Porque deveria prestar ajuda pelo menos com remédios”, diz a estudante Vitória Carolina Ferreira de Jesus, aos 21 anos.
O sonho de Samira era entrar para o Corpo de Bombeiros, mas agora pretende fazer uma faculdade de direito, já a Vitória quer cursar fisioterapia.
Ainda em Ferraz, em julho de 2002, uma multidão em frente à janela de uma casa reza como se estivesse diante de um altar. Uma imagem se formou no vidro de uma casa, e os contornos lembravam os de uma santa.
A figura no vidro por muitos dias atraiu milhares de pessoas de todos os cantos do país. Até padre Quevedo, conhecido por desvendar mistérios, quis ver tudo de perto. “Isso não é um milagre. Deus faz os milagres muito bonitos, claros e inconfundíveis, então isso certamente não é um milagre”, contou o religioso, à época.
Fenômeno natural do vidro, ou não, o certo é que a crença na Santa na Janela para muitos continua até hoje, 18 anos depois da descoberta. A dona da casa olha só, trocou o portão, ela não é tão aberta como antes, mesmo assim o local ainda recebe todos os dias visitantes para orações no fim da tarde em homenagem a já conhecida como Nossa Senhora da Janela.
O terço é rezado mesmo quando vem apenas uma pessoa, a dona Elza é uma dessas pessoas que dificilmente falta.
Nesses 20 anos de história foram muitos carnavais, informação, prestação de serviços, e utilidade pública reconhecidos em muitas homenagens.
Uma das parcerias foi com a ONG Amigos da Latinha e já dura 18 anos. No começo, amassar latas de alumínio era uma forma de arrecadar dinheiro para ajudar famílias carentes. Foi assim que nasceu o nome da ONG. Com a vontade de crescer, veio a ideia de promover uma feijoada. Mas a venda de convites estava ruim demais para um primeiro almoço solidário.
“Mas a TV Diário lançou um comercial divulgando o evento. A gente tinha 50 convites vendidos, no dia do evento nós vendemos mais 220 convites, foi um estouro a festa”, conta o presidente da ONG, Eduardo Hiroshi Ota .
Com o passar dos anos, o dinheiro das feijoadas, e dos yakisobas se transformou também em brinquedos para o Dia das Crianças. A ONG cresceu, e hoje tem até sede própria.
Hoje, apesar do momento tão difícil que o mundo atravessa com a pandemia, as equipes estão na rua em busca de informação para você ficar em casa. Uma coisa é certa: se é fato no Alto Tietê, você vai ver na TV Diário.

By Negócio em Alta