
Segundo o prefeito, a flexibilização da quarentena depende do ‘comportamento das pessoas’ e que lockdown ‘é a opção mais difícil’. Bruno Covas em entrevista à GloboNews neste domingo (10)
Reoprodução/GloboNews
O prefeito Bruno Covas (PSDB) disse neste domingo (10) que se os índices de isolamento não voltarem à marca de 60% será necessário “endurecer com medidas difíceis”. Na sexta-feira (8), o índice de isolamento na capital foi de 46%.
“Não tem como fazer previsão de futurologia sem saber qual vai ser o comportamento das pessoas. É o comportamento das pessoas que estabelece quantos novos casos de contaminação; ocupação de leitos de UTI e quais medidas precisam ser tomadas. Quanto mais as pessoas ficarem em casa, mais a curva vai achatando e a gente pode pensar em flexibilização. Quanto menos as pessoas ficarem dentro de casa, mais o pico vai subindo e a gente precisa tomar medidas cada vez mais duras.”
Covas também anunciou, em entrevista à GloboNews, que o Hospital de Campanha da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, será inaugurado parcialmente nesta segunda-feira (11). O bairro é onde se concentra a maioria das mortes por Covid-19 na capital.
Ao todo, serão 150 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e 22 de enfermaria. Nesta segunda-feira entram em operação 20 leitos de UTI e 16 de enfermaria.
De acordo com Covas, até a noite desta sábado (9), a cidade de São Paulo tinha 85% dos leitos de UTI ocupados e registrava 26.787 casos confirmados e 2.223 óbitos por Covid-19. O prefeito afirmou que “está correndo para entregar os [novos] leitos o mais rápido possível” e que, até o fim de maio, a capital paulista deve receber “um total de mais 1.500 leitos”.
Rodízio
De acordo com Covas, no início da quarentena, a cidade tinha 80% menos passageiros nos ônibus e, atualmente, o índice é de 67% menos passageiros. “A gente tinha o índice de isolamento de 58%, 57% – hoje nós estamos na casa de 46%. Ou seja, se as pessoas voltarem a respeitar a questão de ficar dentro de casa, se a gente voltar ao índice de 55%,60% de isolamento, não tem porquê ter rodizio.”
A partir de segunda-feira (11), carros com placas de final par só poderão rodar em dias da semana pares e veículos com final ímpar, nos dias ímpares. A medida vale para toda a cidade, não apenas o centro expandido, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados e domingos. A determinação foi anunciada nesta quinta (7) e publicada em decreto no Diário Oficial nesta sexta (8). Veja as regras.
Covas também disse que foi estudado um rodízio ainda mais restritivo, no qual reduziria em 80% a frota de casos. “[Seria um] rodizio em que circularia na segunda-feira apenas carros com placas finais 1 e 2; na terça-feira, apenas carros com placas finais 3 e 4. Enfim, estudamos várias possibilidades e a gente acha que com esse, a gente consegue voltar ao índices [de isolamento] que nós tínhamos no início da quarentena, que são os índices suficientes para a população ficar dentro de casa.”
Lockdown
Para o prefeito, o lockdown é a última opção a ser considerada, mas não está descartada. “Lockdown é sempre a opção mais difícil, porque a gente sabe do impacto que isso tem na economia e não adianta só a cidade de São Paulo adotar, a gente vive em uma região metropolitana. As pessoas moram em São Caetano, trabalham em Barueri, passam pela cidade de São Paulo. A pensar isso de forma metropolitana e, claro, [lockdown] é sempre a última opção.”
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