
Autoridades de saúde, no entanto, afirmam que a taxa ideal para conter a propagação do novo coronavírus seria de 70%. Índice de isolamento na quinta-feira (30) de 46% foi o menor já registrado desde o início da quarentena. Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte de SP vazia neste feriado do Dia do Trabalho
Reprodução/TV Globo
A adesão ao isolamento social no estado de São Paulo subiu para 56% nesta sexta-feira (1). Na quinta-feira (30) o estado registrou a pior taxa desde o início da quarentena (46%) iniciada em 24 de março. Antes, o menor valor era de 47%, registrado na quarta-feira (28), terça-feira (27) e em 9 de abril.
De acordo com o governo de São Paulo, a quarentena só deve ser flexibilizada a partir de 11 de maio em regiões que atingirem 50% de isolamento social. As autoridades de saúde, no entanto, afirmam que a taxa ideal para conter a propagação do novo coronavírus seria de 70%. O estado nunca alcançou a marca ideal, sendo que o máximo atingido foi de 59% em alguns domingos.
O isolamento social é medido pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi), que acompanha 104 municípios com mais de 70 mil habitantes por meio de sinal de aparelhos celulares.
Na capital paulista, o isolamento foi apenas um ponto percentual abaixo da média do estado, com 55% de adesão dos paulistanos. Foi a primeira vez em quatro dias que o índice ultrapassou 50% no estado de São Paulo.
Variação do isolamento social em São Paulo.
Arte G1
Em todo o estado de São Paulo já foram registradas 2.511 mortes confirmadas por coronavírus até esta sexta-feira (01) e 30.374 casos confirmados das doença. São 136 novas mortes nas últimas 24 horas.
Os municípios que registraram a melhor taxa de isolamento na sexta-feira (1º) no estado de São Paulo, foram:
São Sebastião (68%)
Ubatuba (67%)
Bebedouro (67%)
Cruzeiro (66%)
Ibiúna (66%)
Lorena (66%)
Ribeirão Pires (65%)
São Vicente (64%)
Cajamar (64%)
Quarentena prorrogada na capital
Segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, a cidade de São Paulo terá a quarentena prorrogada após o dia 10 de maio e vai adotar restrições mais rígidas para impedir o avanço do coronavírus na cidade.
“Já há uma decisão tomada, nós não temos como relaxar as medidas de isolamento a partir do dia 10 de maio. Na capital é absolutamente impossível fazermos isso. Ao contrário, nós estamos iniciando uma discussão para que a gente possa fortalecer algumas dessas medidas para que a gente consiga fazer com que o isolamento possa crescer desse patamar de 48%”, afirmou Aparecido.
Mortos por coronavírus já são quase o dobro do número de assassinatos registrados em 2019
Entre as novas restrições, a Prefeitura de São Paulo deve bloquear algumas vias da cidade. “Você faz um processo de bloqueio e você reduz muito [tráfego] fazendo com que as pessoas se desestimulem a sair de casa, sobretudo nas regiões onde a pressão no sistema de saúde tem aumentado continuamente”, disse.
Entre as regiões que devem receber os bloqueios está a Brasilândia, no extremo Norte da capital. O distrito da Brasilândia registra o maior número de mortos da cidade, com 81 até o dia 24 de abril.
A falta de adesão da população ao isolamento social preocupa o governo, já que o reflexo da contaminação pode ser refletido em uma média de 10 a 15 dias, quando deve ser registrado o pico da doença no mês de maio.
“Isso significa que nós estamos começando de uma maneira muito acelerada o processo de disseminação da doença na cidade e obviamente seus óbitos. Não há menor sombra de dúvida que definitivamente nós iniciamos a subida dessa chamada curva em uma velocidade muito acentuada”, argumentou.
Para o secretário, o isolamento social em São Paulo fez com que a doença demorasse mais para chegar ao interior do estado.
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