Coronavírus: Justiça determina troca de direção de hospital do RJ por omissão no atendimento

Ministério da Saúde informou que o Hospital Federal de Bonsucesso seria a unidade de referência para o tratamento da Covid-19. Covid-19: Justiça determina troca de direção de hospital do RJ por omissão no atendimento
No Rio, a Justiça Federal determinou a troca da direção do Hospital Federal de Bonsucesso por omissão no atendimento a pacientes com a Covid-19. O hospital foi indicado pelo Ministério da Saúde como referência para a doença. E a juíza cobrou com veemência que os diretores disponibilizem os leitos que tinham sido prometidos.
A juíza Carmen Silva Lima de Arruda, da 15ª Vara Federal do Rio, apontou que só no Hospital Federal de Bonsucesso existem 30 leitos equipados, mas vazios sob alegação de falta de profissionais.
Durante a audiência, por videoconferência na última quinta-feira, a juíza acusou o hospital de omissão, determinou que seja apresentado um plano para receber mais pacientes e a troca de toda a diretoria do hospital.
“Para quem não entendeu: o juiz está intimando o Ministério da Saúde para em 24 horas providenciar a troca da direção do hospital de Bonsucesso que está sendo omisso, omisso. Até a data de hoje não foi realizada sequer uma compra de teste de Covid. A senhora está entendo bem? O senhor está entendendo, doutor Ademir, o senhor como representante do Ministério da Saúde, o senhor está entendendo que o senhor está recebendo uma intimação judicial?”, disse a juíza.
Em 17 de março, o Ministério da Saúde informou que o Hospital Federal de Bonsucesso seria a unidade de referência para o tratamento da Covid-19 e deveria oferecer 240 leitos exclusivos para pacientes infectados pelo coronavírus. Mas, até agora, só tem 26 funcionando, e todos já ocupados.
Uma funcionária do hospital diz que o atendimento é precário: “Nós, que trabalhamos lá, já sabíamos que não daria certo por conta de o hospital ser sucateado, não tem profissional para trabalhar, faltam insumos. E a situação constante de falta de médicos. É impossível que o hospital tenha condição de atender, de ser referência para o tratamento de Covid-19”.
O diretor médico do hospital, que deveria ser exemplo no enfrentamento ao coronavírus, Wagner Teixeira, vem se manifestando nas redes sociais, na contramão do que orienta a Organização Mundial de Saúde e autoridades médicas do mundo inteiro. No último dia 18, ele postou o vídeo de uma carreata contra o isolamento social. E escreveu: “Vamos parar de mi-mi-mi e tocar o barco”.
O Rio de Janeiro conta com seis hospitais federais e três institutos. O orçamento total é de R$1,5 bilhão, dinheiro que não tem sido suficiente para garantir o básico. Em muitas unidades, faltam médicos, respiradores e equipamentos de proteção individual.
“A Covid-19 apenas escancara a fragilidade dessa rede. Quando há dez anos eu não faço concurso, quando eu não dobro essas unidades de equipamento de proteção individual, eu dou um recado muito claro: eu não quero que a minha própria rede dê suporte ao estado e município neste momento “, disse Daniel Macedo, defensor público da União.
O estado do Rio já registra 10.546 casos e 971 mortes.
Na audiência, a juíza Carmen Silva Lima de Arruda também intimou o comandante do Comando Militar do Leste a informar a estrutura que o Exército tem para abrir hospitais de campanha. Ela exigiu que diretores dos hospitais do Exército, Marinha e Aeronáutica esclareçam quantos leitos estão preparados para atendimento de Covid-19.
Em todo estado, mais de mil pessoas esperam por uma vaga num hospital. O Marco Aurélio é um deles. Hipertenso, faz parte do grupo de risco e está internado no Hospital Federal Cardoso Fontes. Mas não tem vaga de UTI para ele.
“Sem esse leito ele vai entrar para estatística, como todos que estão aguardando leito no município. Eu peço encarecidamente que as autoridades se mobilizem porque muitas pessoas estão morrendo e o meu primo será mais um”, desabafa Tatiana Martins Alves.

By Negócio em Alta