Nos últimos anos, Aldir Blanc quase não saía de casa, mas teve que procurar uma emergência há quase um mês, com infecção urinária e pneumonia. Compositor Aldir Blanc morre no Rio de Janeiro
A música brasileira e todos nós perdemos nesta segunda (4) um dos maiores compositores: Aldir Blanc.
Quem nunca ouviu as músicas de Aldir Blanc? Num sambinha, na abertura da novela, um legado de 500 composições que começaram a nascer quando Aldir Blanc ainda era médico psiquiatra e trabalhava num manicômio. Observador dos tipos e das pessoas, vascaíno e salgueirense, descrevia a alma da Zona Norte do Rio, onde nasceu, viveu e morreu.
Nos últimos anos, Aldir Blanc quase não saía de casa. Há cerca de um mês, teve que procurar uma emergência, com infecção urinária e pneumonia. O grande compositor não tinha plano de saúde nem recursos para pagar o hospital particular. Após duas semanas na UTI de um hospital público, foi mais uma vítima da Covid-19.
“Era um imortal diante do meu pensamento. Então, eu estou chocado como amigo e também como o profissional, o letrista e o poeta, palavras que ele descobria para rimar, que ninguém sabe fazer até hoje”, disse Moacyr Luz, compositor.
Aldir conheceu João Bosco no início dos anos 1970. A consagração da parceria veio na voz de uma cantora gaúcha. Elis Regina recebia em primeira mão as novidades da dupla. A filha da cantora, Maria Rita, postou nesta segunda um agradecimento.
“Aldir Blanc está agora em paz, longe desse nosso caos. Obrigada por tudo que criou e ensinou para gente, mestre”, escreveu.
Aldir Blanc publicou livros e crônicas no Pasquim e no jornal O Globo. Inventou o termo “Globeleza”, marca do carnaval.
“Um gênio que não tem outro igual. Apaixonado por um Brasil que a gente vai seguir lutando para que exista e resista a tanta loucura”, disse a cantora Leila Pinheiro.
Durante a ditadura militar, a canção que falava da esperança equilibrista virou hino da anistia aos presos políticos.
“Não houve nenhum tipo de manipulação para que as pessoas se irmanassem, dissessem esse hino da anistia e as pessoas voltando do exterior e essa música tocando nos altos-falantes do aeroporto”, contou Aldir em uma entrevista.
Repórter: Isso te emocionava muito?
Aldir: Muito, muito.
Na internet, nesta segunda João Bosco disse: “não existe João sem Aldir. Hoje é um dos dias mais difíceis da minha vida. Felizmente nossas canções estão aí para nos sobreviver.”
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