Mesmo sabendo que os prejuízos por causa da quarentena não serão repostos, empresários fazem ações para manter ativa a rede de clientes. Alguns encontram espaço para praticar a solidariedade. Loja de Mogi aposta em mostrar looks para o Dia das Mães em redes sociais
Karin Rodrigues Padovani/Divulgação
O Dia das Mães costuma ser um segundo Natal, em termos de vendas, para o comércio. Com os estabelecimentos fechados por causa da pandemia do novo coronavírus, os comerciantes de Mogi das Cruzes estão desenvolvendo novas estratégias para não ter um prejuízo tão grande.
Nessa batalha, as redes sociais e os serviços de delivery têm sido aliados importantes. A Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) afirma que a cidade possui, aproximadamente, 9,5 mil estabelecimentos comerciais. A maioria está concentrada na área central e no shopping.
A Associação Comercial não tem números regionais de queda das vendas por causa da pandemia, mas afirma que a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) tem uma estimativa que aponta uma redução de 90% no volume de vendas em todo o Estado.
Embora a cidade ainda esteja na quarentena determinada pelo governo estadual, que foi estendida nesta sexta-feira para até o dia 31 de maio, a entidade fez uma pesquisa com comerciantes e consumidores, que foi entregue ao prefeito Marcus Melo.
A associação afirma que entre os 1,3 mil comerciantes pesquisados, 74% disseram ser a favor da reabertura das lojas, com todas as medidas de prevenção necessárias. Também foram pesquisados cerca de 1,8 mil consumidores, sendo que 73,1% opinaram pela retomada do funcionamento das lojas.
Mas, por enquanto, a determinação do comércio fechado, exceto alguns setores, continua mantida. Para ajudar os comerciantes a Associação Comercial tem feito algumas ações.
A entidade lançou o programa Associação em Ação, com o objetivo de orientar na busca de soluções, estratégias e marketing, vendas e reestruturação do plano de negócios.
Fora da Caixa
Fábio de Almeida é dono de uma padaria na Vila Oliveira. Mesmo com o estabelecimento aberto, ele afirma que o movimento caiu 80%, desde o início da quarentena. O jeito foi pensar em novas alternativas. Ele implementou o sistema de delivery e começou a pensar em cestas.
“O Dia das Mães era o melhor dia do ano para a padaria. E pensei nas cestas de café da manhã. A procura está sendo melhor que imaginava. Para uma primeira vez é interessante”, explica Almeida.
Padaria criou cesta para movimentar vendas do Dia das Mães
Fabio de Almeida/Arquivo Pessoal
Ele diz que o objetivo é aproveitar o que é produzido na padaria, como os pães. Os produtos são entregues em uma caixa de papelão na casa do cliente. Ele recebe leite, café solúvel, suco, iogurte, granola, etc. A cesta custa R$ 59,90, e pode ser encomendada com antecedência ou pedida em aplicativo de entrega de comida.
O cliente ainda ajuda os motoboys. “Negociei com eles uma taxa de entrega baixa. Aí eu repasso o valor da taxa 100%, para eles e ainda pago a diária de trabalho deles.”
O comerciante destaca que tem a meta de vender pelo menos 150 cestas. “Ajuda no faturamento, mas não vai suprir as perdas.”
Moda em Casa
Como está com as portas das suas lojas na Vila Oliveira e em Brás Cubas fechadas desde 21 de março, a comerciante Karin Rodrigues Padovani decidiu levar seus produtos até as clientes.
As redes sociais também ganharam destaque na estratégia em tempos de crise. “Tem uma digital influencer que trabalha com a loja e, para o Dia das Mães, ela dá dicas de looks para as mães ficarem confortáveis em casa”, explica a comerciante.
Os looks são postados na internet e as fotos também são enviadas pelo WhatsApp. Quem quiser conferir as peças recebe uma sacola de roupas da loja. “Tem maridos de amigas procurando. Eu mando fotos e eles escolhem. Aí eu deixo pronto e entrego um dia antes.”
Entre as opções a loja oferece blusa a partir de R$ 49,90.
Beleza e Solidariedade
Com as tesouras, secadores e esmaltes parados no salão onde é sócia, Larissa Lika Kanazawa Yonezaki resolveu presentear as mães com descontos e ainda ajudar a Rede Feminina de Combate ao Câncer.
O salão localizado na Vila Oliveira está fechado desde 21 de março. “O Dia das Mães é uma data especial para nós que trabalhamos muito com o público feminino. Normalmente fazemos alguma ação nessa época para homenagear as mães. Esse ano com o salão fechado pensamos em vouchers com desconto para as mamães poderem se arrumar logo que tudo isso passar”, explica a empresária.
Mesmo com a perda de 100%, da renda Larissa encontrou uma forma de ajudar uma causa social em meio a pandemia. “Tivemos a ideia de reverter 10%, da venda dos vouchers para a Rede Feminina que também está sofrendo com a pandemia, uma vez que não pode fazer mais seus eventos.”
Ela afirma que apesar da ação os prejuízos não vão acabar, pois a maior parte do faturamento vem de serviços.
Entre os vouchers oferecidos tem um de R$ 108, que inclui uma hidratação e uma escova e uma outra opção é a lavagem, corte, escova e manicure por R$ 159.
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