
Localização do instrumento de controle mostra que animal está vivo e caçando. Um ano após a captura, relembre passagem do felino pela cidade. Colar de monitoramento de onça-pintada é encontrado e indica que animal está vivo e caçando
Pedro Nobre/UFJF
Nesta terça-feira (12), a captura da onça-pintada que circulou em Juiz de Fora completou um ano. A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) anunciou que, na segunda-feira (11), foi encontrado o colar de monitoramento do felino na área de proteção ambiental, junto a restos de um tamanduá-mirim, que pode ter sido caçado pela onça.
Colocado no animal quando durante a captura, o colar estava programado para ser aberto automaticamente em cerca de 12 meses, que é o tempo estimado da bateria do dispositivo chamado drop-off.
Em fevereiro deste ano, a UFJF informou que havia parado de receber sinais e informações do colar de monitoramento da onça.
Colar de onça-pintada que foi capturada em Juiz de Fora foi encontrado junto com carcaça de tamanduá-mirim
UFJF/Divulgação
“Quando sua carga é esvaziada, esse aparato faz com o que o colar se abra. O drop-off se alimenta de bateria independente daquela que abastecia o sistema de GPS, também presente no colar e que havia parado de emitir sinais de localização”, explicou o professor Fernando Azevedo, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), um dos profissionais que participaram da captura.
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Segundo o professor, há pelo menos três indicadores que relacionam as fotos, tiradas na segunda-feira, à onça-pintada de Juiz de Fora.
O primeiro deles é que, somente ela usava um colar com o compartimento branco para GPS. O segundo é que as outras três onças do local usavam coleira na cor preta. E o terceiro é o fato de que a carcaça do tamanduá foi encontrada a cerca de sete quilômetros de onde a onça foi inserida no habitat, em 2019, apontando para um território de uso do animal.
“Pelos vestígios e manchas de sangue fresco da caça, foi possível estimar também que ela esteve no local se alimentando havia cerca de 12 horas”, afirmou Azevedo.
De acordo com Fernando, esses indicadores são sinais fortes de que a onça está bem e pode até já ter cruzado com uma fêmea.
“São sinais de que está caçando e estabeleceu território na área onde foi solta. Considerando o tempo em que está no território, muito provavelmente o felino pode ter cruzado com alguma fêmea, já que há duas no local, já que só há outro macho na área e aparentemente cada um estabeleceu seu espaço”, explicou o professor.
Conforme o especialista, esse é o primeiro caso de sucesso de translocação de uma onça-pintada em região de Mata Atlântica.
“Há muitos anos uma onça desse bioma foi levada para o Pantanal. Mas entre áreas de Mata Atlântica é o primeiro registro documentado de que tenho notícia,” explicou.
O local ainda está sendo monitorado por câmeras instaladas pela equipe do pesquisador no mês de março. Os registros ainda serão verificados.
A onça-pintada em Juiz de Fora
Onça-pintada foi gravada por populares na Zona Norte de Juiz de Fora
Divulgação
O primeiro registro da onça foi feito por um vigilante do Jardim Botânico, no dia 25 de abri de 2019. O local foi fechado para visitação no dia seguinte.
Desde então, apenas a equipe especializada teve acesso para o monitoramento e o trabalho de captura.
Depois ela foi flagrada fora da área da Mata do Krambeck:
no estacionamento de um hotel na madrugada de 26 de abril;
no estacionamento da Igreja Batista Estrela Resplandecente da Manhã (Ibrem) no dia 1º de maio;
na ponte da Mata do Krambeck, na noite do dia 5 de maio;
novamente no estacionamento pelo vigia da Ibrem, quando foi filmada pelo vigia volta das 20h do dia 6 de maio;
às margens do Rio Paraibuna e em ruas do Bairro Industrial no dia 7 de maio
dois ataques ao galinheiro em uma casa no Bairro Parque das Torres no dia 8 de maio e também na madrugada do dia 9 de maio.
Ainda de acordo com a UFJF, a onça foi avistada no sábado (11) e pegadas foram encontradas no domingo (12) em local não informado dentro do Jardim Botânico.
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