
Enquanto ‘contas acumulam’, trabalhadoras autônomas relatam dificuldades com queda na renda e sem ter com quem deixar filhos. Recurso foi usado para luz, água, alimento e medicamento. Diarista, do DF, relata dificuldades com primeira parcela do auxílio emergencial
A liberação do auxílio emergencial do governo federal foi o que pagou as faturas na casa da diarista Eva da Silva Moura, de 35 anos, moradora do Itapoã, região de baixa renda do Distrito Federal. Contudo, após a dificuldade com o primeiro saque, ela relata que a segunda parcela do auxílio, que está sem data para sair, “é um dinheiro que não dá pra contar”.
Em menos de três semanas, o benefício já se esgotou na casa da Eva, onde mora com a filha de 13 anos. Segundo ela, “não deu pra fazer tudo” e novos boletos se acumulam. “Eu nem durmo pensando nas contas”, diz.
“Só de cartão [de crédito] eu paguei R$ 600, ainda tive que pagar aluguel, água e luz. Mas é que não tem só o aluguel e as compras…Tem tudo.”
Como mulher, mãe e chefe de família, Eva pode receber R$ 1,2 mil (duas cotas) por mês.
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O dinheiro “para tudo” na família de Eva, agora, não tem de onde sair. A falta de previsão para pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial ocorre no mesmo momento em que ela perdeu a única cliente que havia lhe restado para os serviços de faxina.
No final de abril, Eva contou ao G1 que, antes da pandemia de Covid-19, pagava as contas e cuidava da filha, de 13 anos, fazendo três faxinas por semana, cada uma por R$150. Depois que as medidas de isolamento na capital começaram, perdeu duas clientes. A terceira, que sobrou, dispensou os trabalhos no dia 7 de maio.
Eva da Silva mostra aviso de auxílio emergencial aceito no aplicativo da Caixa
Arquivo pessoal
“A cliente me dispensou porque tava com medo, porque eu tava indo de ônibus. Agora, ficou mais difícil pra mim, eu não sei o que fazer.”
Para sacar a primeira parcela do auxílio emergencial, Eva conta que ficou das 6h às 11h na fila de uma agência da Caixa. Hoje, ela torce para que tudo volte ao normal.
“A minha esperança é que passe logo. Bom mesmo é encarar todos os dias, levantar cedo, trabalhar e saber que no final do mês vai ter esse dinheiro”.
Expectativa
Brasiliense Luciane Ferreira com a filha, de 17 anos
Arquivo pessoal
Para a cabeleireira e manicure Luciane Ferreira de Carvalho, de 38 anos, “o pior é a expectativa” pelo segunda parcela do auxílio. Moradora do Recanto das Emas, ela viu a renda cair de R$ 3 mil para R$ 700 desde que o salão onde trabalha precisou fechar as portas devido à pandemia.
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Luciane é mãe de três filhos, com idades entre 9 e 17 anos. A mais velha tem deficiência, com déficit intelectual e uma doença de pele que demanda cerca de R$ 300 por mês com medicação.
Ela conta que a busca pelo auxílio emergencial “não foi nada tranquila” e teme depender dos aplicativos para a segunda parcela.
“Eu não tenho banda larga. No dia que eu precisava pegar o código para sacar o auxílio ainda tinha internet no meu plano de celular. Hoje não tenho mais.”
Após o recebimento do benefício, o dinheiro “acabou rápido”, diz Luciane que conta com a ajuda de parentes para complementar a renda. “O auxílio emergencial deu pra pagar água, luz, comprar comida e a medicação para minha filha”, explica.
‘Em análise’
A motorista de aplicativo Mércia Cardoso de Novaes, de 42 anos, solicitou o auxílio no dia 7 de abril, primeiro dia de cadastro. Ela conta que acompanhou o pedido com ansiedade, todos os dias, até 23 de março, quando o benefício foi negado.
Com uma filha de 1 ano e quatro meses e outro de 12 anos, Mércia entrou com recurso. Mas, quando foi ver a resposta, conta que estava lá a mesma mensagem: “benefício em análise”.
“É uma barra. A minha vida financeira tá difícil, as contas tão acumulando.”
Para a motorista de aplicativo, a saúde dos filho está em primeiro lugar. “Eu não vou expor eles ao risco, saindo pra trabalhar, e também não tenho com quem deixar”, desabafa. Segundo Mércia, o auxílio emergencial seria uma alternativa para pagar a contas.
“A gente não tem uma posição se estávamos no pico [da transmissão do coronavírus], se não estamos no pico. Como tomar decisões?”, questiona.
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